quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Marfrig compra fábrica de legumes e vegetais na Argentina

Fábrica pode processar oito mil toneladas de alimentos por ano

Buenos Aires, Argentina, 2 de Setembro de 2010 - A Marfrig, por meio da subsidiária argentina Quickfood, reforçará sua atuação na área de produtos congelados no país vizinho. O frigorífico brasileiro adquiriu uma fábrica de legumes e vegetais congelados da Arcor por US$ 3,4 milhões e assumiu ontem as operações.
A fábrica comprada pela Marfrig pode processar oito mil toneladas de alimentos por ano e emprega cerca de 100 trabalhadores em Arroyo Seco, na Província de Santa Fé, a noroeste de Buenos Aires. O negócio envolveu um pagamento à vista, já feito, de US$ 715 mil - o restante será financiado em três anos.
A Quickfood já comercializava, com marca própria, verduras e legumes congelados pela Arcor, empresa mais conhecida pela produção de balas e guloseimas. A planta em Arroyo Seco processa vegetais como brócolis, ervilha, vagem, batata e espinafre, entre outros.
Conforme explicou ao Valor o diretor de assuntos públicos e relações com o mercado da Quickfood, Miguel Gorelik, a aquisição permitirá reforçar a presença desses produtos não só no mercado interno, mas aproveitar os canais de comercialização abertos pelas exportações de carne. Por isso, a ideia é vender legumes congelados a países da região, como Chile e Uruguai, incluindo também o Brasil, e a mercados mais distantes. "Se você pensar em carne e vegetais, pode parecer um negócio estranho. Mas estamos falando, na realidade, de alimentos congelados", comentou o executivo.
A Marfrig chegou à Argentina em 2007 com a compra da Quickfood, uma das marcas mais tradicionais do país. Desde então, aumentou sua participação acionária na companhia dos 70,51% iniciais aos 81,48% de hoje. A família Baumele, que vendeu a empresa, continua participando da gestão. A Quickfood fatura cerca de US$ 600 milhões por ano e detém a marca de hambúrgueres Paty, que possui 65% do mercado local e vende 1,6 milhão de unidades/dia.
Por ter a maior parte de sua produção destinada ao mercado interno, a Marfrig não teve suas operações na Argentina significativamente afetadas pela atual crise da carne. A JBS, que controla a Swift, revelou no domingo a intenção de vender três de suas oito plantas no país. O governo argentino poderá oferecer financiamento público para adquirir as instalações da JBS, mas a dificuldade enfrentada pela maioria dos frigoríficos complica um desfecho positivo.
(Valor Econômico) (Daniel Rittner)

Mercado

Hoje foi vendido alcatra a prazo para uma grande rede de supermercados a R$ 10,70 kg . Houve também  mais cedo , venda  de alcatra a R$ 10,80 kg a vista e contra a R$ 11,00 kg  também a  vista em partes iguais.
Dianteiro sem osso, foi comercializado a R$ 6,80 a prazo.
Teve cliente  que comprou ontem, traseiro a R$ 6,90 e dianteiro de R$ 4,90 kg e que ligou cedo para o fornecedor, querendo barganhar um desconto de R$ 0,10 kg no traseiro.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Consumo de carne suína na mira

Foi assinado nesta terça-feira (31-8) acordo que prevê o investimento de 9 milhões de dólares para elevar a venda de carne suína no país. Com isso, Associação Brasileira dos Criadores de Suínos, Sebrae e Acsurs pretendem aumentar em dois quilos o consumo per capita em três anos. O projeto, parte do Programa de Desenvolvimento da Carne Suína, trata do marketing e das medidas a serem tomadas com esta finalidade. Entre as ações, estão palestras com nutricionistas, inserção do produto no cardápio de empresas e indústrias, enumerou o presidente da Acsurs, Valdecir Folador. Segundo o gerente do agronegócio do Sebrae, João Paulo Kessler, o programa beneficiará todo o setor.

Boi: apesar do ritmo mais lento, ainda é possível verificar preços em alta

1/09 
XP Agro - Está difícil abalar a firmeza do mercado, que é ditada pela curta oferta de animais terminados, consumo forte e exportações recuperando-se (níveis pré-crise).

Somente no último mês, o boi subiu R$6,21 sendo que, antes disso, havia demorado quatro meses para conseguir o mesmo feito, o que reflete sobre agosto os efeitos da entressafra. As últimas altas deixaram a arroba em bons patamares, os mais altos desde agosto de 2008.

E, apesar disso, o mercado teima em permanecer lá em cima, movimentado e especulado. Com o consumo aquecido, é possível que os preços se mantenham bastante firmes na primeira quinzena de setembro. Após tal momento, a demanda arrefecida somada à maior oferta de animais de cocho poderá mexer com o mercado.

Só Notícias

Inflação na carne segue até 2011

Bruno Bianchim Martim

Na balança dos açougues e nas gôndolas de supermercado, o aumento no valor da carne bovina registrado em agosto deve perdurar até o início de 2011. A entressafra – período em que faltam pastos para os animais por conta do tempo seco – é a principal responsável pela variação de preço, apontada na cidade como próxima dos 20% de aumento.

De acordo com a nutricionista e proprietária do Açougue São João, no Mercado Municipal, Débora Ubisses Puga, o segundo semestre do ano representa queda na produção pecuarista e maior custo na produção da carne de corte. De agosto a dezembro, a temporada sem chuvas desfavorece o setor.
“Com o tempo seco e a falta de pastos, os animais acabam ficando confinados. Isso encarece o produto final”, explica.

A ponta de alcatra, de primeira, registrou aumento de 8% este mês (de R$ 11,90, passou a custar R$ 12,90). O miolo de acém, que custava R$ 8,99 no início de agosto, agora equivale a R$10,90/kg. No açougue, a variação chega a R$ 1,50 para carnes de segunda e R$ 1 para carnes de primeira, os cortes nobres. “Até o fim das festividades de Natal e Réveillon, o preço deve se manter. É a oportunidade que os produtores têm para recuperar as perdas dessa entressafra”, argumenta.

O comerciante Álvaro Dias busca variar seu paladar na hora das compras. “Quando a carne vermelha sobe um pouco, acabo procurando outras alternativas, como a carne de frango e de porco”, comenta o vendedor. “Em casa não deixo faltar o alimento. É difícil encontrar algum produto que sobreponha o valor nutricional da carne”, explica Dias.

A queda no volume de vendas do açougue fica numa margem que varia de 10 a 30%. Cortes mais populares, como carnes cozidas e de panela, mantém o caixa equilibrado. “As carnes de segunda acabam sendo inflacionadas por essa menor procura dos cortes nobres. O mercado busca se equacionar”, afirma Débora.

Segundo a nutricionista, o clima quente requer cuidados extras com armazenagem do produto. “A carne perde mais água nesse período. É preciso que o consumidor se atenha a esse detalhe na hora das compras. As condições de pesquisa não devem se pautar somente no preço, e sim na qualidade. Os próprios açougues acabam sendo prejudicados com esse fator, já que necessitam ter mais atenção na armazenagem do produto”.

A Tribuna

terça-feira, 31 de agosto de 2010

JBS diminuirá presença na Argentina no abate de bovinos

Segundo empresa, ação é resultado da deterioração das condições do mercado na Argentina

São Paulo, SP, 31 de Agosto de 2010 - A JBS anunciou anteontem (29) que pode vender parte de suas unidades de processamento de carne na Argentina por falta de matéria-prima e em razão das restrições governamentais à exportação. Maior processadora de carne do mundo, a empresa está com as atividades paradas ou reduzidas em 3 das 6 unidades que mantém no país vizinho.


Segundo interlocutores do ministro do Comércio Interior, Guillermo Moreno, o governo argentino já procura investidores e se ofereceu como facilitador do negócio para evitar o fechamento dos frigoríficos de Pontevedra e Berazategui, na Província de Buenos Aires, e de San José, na Província de Entre-Ríos.

Em seu relatório do segundo trimestre de 2010, a JBS já havia alertado sobre a "deterioração das condições do mercado na Argentina" decorrente dos preços altos do boi vivo e das limitações impostas pelo governo.

Desde 2008, o mercado local de carne bovina apresenta um grande desequilíbrio causado pela intervenção estatal e pela estiagem que secou as pastagens há dois anos, segundo o consultor da Abeceb Mariano Lamothe.

Com dificuldades de alimentar o gado e desestimulados pelos preços baixos fixados pelo governo, os produtores começaram a abater vacas -que, em situações normais, são preservadas para a reprodução- e reduziram o rebanho argentino em 9 milhões de cabeças (15%) nos últimos três anos.



Rebanho Reduzido



O produtor Nicolás David, da Província de Córdoba, é um exemplo da retração do setor. Nos últimos cinco anos, abateu 58% das vacas e diminuiu o rebanho de 5.500 para 3.500 cabeças.

"Comecei a trabalhar com agricultura e só mantive o gado onde não consigo plantar", afirma David.

A pouca oferta fez o preço do quilo do boi vivo saltar de US$ 1 para US$ 1,90 e inviabilizou principalmente as exportações, taxadas em 15%.

"O governo gerou mecanismos que tiram a previsibilidade do exportador", diz o consultor Víctor Tonelli. Segundo ele, até 2012 o país deve continuar com oferta de carne insuficiente.

As unidades da JBS na Argentina, compradas a partir de 2005, são essencialmente exportadoras. O grupo brasileiro Marfrig, que também atua no país, enfrenta menos dificuldades por atuar mais no mercado interno.

Segundo analistas, não há compradores para as unidades da JBS. A insegurança jurídica do país assusta os estrangeiros e, se a venda ocorrer, deverá ser intermediada pelo governo em benefício de uma cooperativa de trabalhadores ou investidor local.

(Folha de São Paulo) (Mauro Zafalon)

Cresce a diferença do valor do frango entre o aviário e o supermercado

Curitiba, PR, 31 de Agosto de 2010 - O preço do quilo do frango pago ao produtor subiu 91% nesta década, mas não acompanhou os reajustes praticados pela rede de distribuição ao mercado interno, mostra levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná. O frango congelado teve aumento de 111% no varejo no mesmo período. A diferença entre o preço recebido pelo produtor e o pago pelo consumidor cresce na hora que a carne chega no comércio. No atacado, a carne de frango congelada teve aumento de 86%, ou seja, não chegou a dobrar de preço como nos supermercados. A diferença é ainda maior quando se analisa a evolução da carne resfriada, que teve reajuste de 115% no comércio – 40 pontos porcentuais a mais do que no atacado e 24 acima da evolução no valor que chega ao bolso dos avicultores.


(Gazeta do Povo) (Redação)

Escassez de gado continua e arroba vai a R$ 92 em SP

Alta nos preços da carne bovina sustenta também a de frango

São Paulo, SP, 31 de Agosto de 2010 - O cenário na oferta de boi não mudou e os preços voltaram a subir. A arroba de boi pronto para o abate subiu ontem para R$ 92 no noroeste do Estado de São Paulo, conforme acompanhamento de preços do "Boletim Pecuário Diário" da AgraFNP.


E esse cenário pode não ter alteração nas próximas semanas, uma vez que as estatísticas indicam menos gado confinado do que se previa, segundo a Assocon (associação dos confinadores).

A alta nos preços da carne bovina sustenta também a de frango, que foi para R$ 1,70 o quilo da ave viva nas granjas paulistas. Já a carne suína, contrariando as demais, passou por um pequeno reajuste e recuou.

(Folha de São Paulo) (Mauro Zafalon)

Crise na pecuária argentina ajuda o Brasil a exportar, mas carne subirá

Demais grandes produtores - Austrália, Argentina e EUA - têm sérios problemas na produção

São Paulo, SP, 31 de Agosto de 2010 - A séria crise vivida pela Argentina no setor pecuário afeta o Brasil. De um lado, é bom para a consolidação do produto brasileiro no mercado externo -a Argentina, tradicional exportadora de carne de qualidade, pode deixar parte desse mercado para os brasileiros.


Ao entrar em mercados antes ocupados pela Argentina, o Brasil tem chance de mostrar o avanço da qualidade do produto nacional e receber mais por ele, o que já vem ocorrendo.

Uma participação maior do Brasil no mercado externo traz a chance de o país vender cortes diferenciados e com maior remuneração.

Essa melhora no valor da carne deveria, em tese, se converter também em remuneração para o pecuarista.

Isso está ocorrendo. Demanda interna aquecida e retorno das exportações, em um período de poucos animais para abate, elevaram os preços internos da arroba para R$ 92, ontem, no Estado de São Paulo, preço 15% maior do que o de há um ano.

De outro lado, o consumidor pode esperar, aos poucos, aumento real no preço da carne. À exceção do Brasil, que saiu de uma crise após a ocorrência da aftosa em 2005, os demais grandes produtores -Austrália, Argentina e EUA- têm sérios problemas na produção.

Esses problemas passam por limitação de áreas, como na Argentina, mudanças climáticas, na Austrália, e elevação de custos, nos EUA.

A situação no Brasil, no entanto, não é tão tranquila. A política de incentivos do governo a grandes instituições está deixando para trás uma série de pequenos frigoríficos de portas fechadas.

Em Mato Grosso, que tem o maior rebanho nacional, 13 dos 39 frigoríficos estão parados. A redução de unidades compradoras pode diminuir o poder de negociação dos pecuaristas.

Os números recentes da Argentina indicam a situação delicada do país. Líder em exportações de carnes durante décadas, os argentinos iniciaram os anos 2000 com redução nas vendas externas, mas vinham se recuperando.

As exportações de carnes frescas, que somaram 406 mil toneladas em 2005, recuaram para 212 mil em 2008, mas atingiram 361 mil em 2009. Nos sete primeiros meses deste ano, o volume está em apenas 87 mil.

Como carne na Argentina é sempre motivo de reunião ministerial, o país já estaria importando volume acima do normal do Uruguai.

(Folha de São Paulo) (Mauro Zafalon)

Carne de pato: Para crescer, Villa Germania se associa a Mercatto

Florianopólis, SC, 31 de Agosto de 2010 - Líder nacional no abate e comercialização de patos e com exportações para países da África e Ásia, a Villa Germania, com sede em Indaial, no Vale do Itajaí catarinense, prepara-se para entrar no mercado europeu.


O investimento de R$ 30 milhões previsto na ampliação da planta e certificação de produtos para a entrada na Europa é o próximo passo da empresa que fechou este mês a venda de 40% do seu capital para a Mercatto Investimentos. As empresas não revelaram o valor da transação. O diretor da Villa Germania, André Grützmacher, reforça que o negócio vai garantir o aporte para o investimento de R$ 30 milhões na empresa.

Em 2009, a Villa Germania faturou R$ 20 milhões e projeta, para este ano, atingir R$ 28 milhões em receita. Com a venda, Grützmacher e o sócio Marcondes Aurélio Moser vão manter 30% do capital da empresa. A Kaefer Agro industrial, empresa do Grupo Globoaves que faz parte do negócio desde 2005, também terá 30%. Outros 40% ficam com a Mercatto Investimentos.

Segundo Grützmacher, o projeto prevê a ampliação da capacidade de abate dos atuais 7,5 mil aves por dia para 25 mil patos diariamente. O processamento de frango caipira, galinha d'angola e coelho devem ser suspensos em um prazo de seis meses. A intenção é focar na carne de pato ou marreco, como é conhecido em algumas regiões.

"Vamos manter os outros produtos para garantir o mix e atender os nossos clientes, mas a intenção é só abater patos", diz Grützmacher. De acordo com ele, estão sendo estudadas algumas parcerias com frigoríficos locais para o abate dos outros animais. A Villa Germania vai ficar responsável pela marca e a comercialização dos produtos.

A venda para a Mercatto Investimentos vai permitir à Villa Germania retomar o processo de exportação para um dos mercados com maior potencial de consumo. Em 2004, a empresa iniciou o processo de certificação para exportações. Mas a crise no mercado de aves, em 2006, adiou os planos de Grützmacher de chegar à Europa.

Hoje, o mercado externo responde por 60% do faturamento da Vila Germania. No Brasil, onde estão 40% das vendas, os negócios estão divididos entre restaurantes, distribuidores e supermercados, cada segmento com um terço das vendas.

Fora do país, o Japão é o grande destino de peito e coxas desossadas. Para o Oriente Médio, embarcam aves inteiras, sem miúdos, congeladas. Na Europa, a Vila Germania quer atender com ambos os tipos de produtos.

A diferença entre o consumo de carne de pato na Europa e no Brasil é gritante. Enquanto o brasileiro consome 21 gramas em média, por ano, o europeu consome dois quilos. O consumo tímido revela um potencial para a carne de pato no mercado interno. Grützmacher diz que as vendas para o mercado interno dobraram de 2009 para 2010. A intenção para atrair a atenção maior do consumidor brasileiro é criar facilidades. "Vamos investir em uma linha nova de patês e de pratos prontos, que deve ser lançada em 2011", diz.

O projeto de ampliação prevê aumento no número de produtos integrados da Villa Germania. Hoje, a empresa importa as matrizes de pato de pequim e pato mullard. Os ovos são produzidos em Santa Catarina e, recém-nascidos, os patos são repassados para os 45 integrados.

As propriedades ficam no Planalto Norte Catarinense, onde a Villa Germania mantém uma fábrica de ração. Com cerca de 45 dias, as aves estão prontas para o abate. Dentro do projeto de expansão, o número de integrados deve saltar para 120 quando a planta estiver com capacidade para abater 25 mil aves por dia.



(Valor Econômico) (Julia Pitthan)