quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Marfrig comunica expansão no mercado de bovinos no Brasil

A Marfrig Alimentos comunicou nesta terça, dia 22, em fato relevante aos seus acionistas e ao mercado em geral que firmou Protocolo de Intenções com os Frigoríficos Margen S/A e Mercosul S/A, para o arrendamento de 11 plantas frigoríficas que, juntas, possuem capacidade de abate de 8,8 mil cabeças de gado por dia, e de uma indústria de charquearia com produção de 1,7 mil toneladas de produtos industrializados por mês. As unidades arrendadas estão localizadas nos Estados de Goiás, Pará, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul. A conclusão destes arrendamentos está condicionada a autorizações legais e processo de due diligence nas unidades arrendadas. Em nota, a empresa diz que “essa operação elevará a capacidade de abate da Companhia para 22.350 bovinos/dia no Brasil e para 30.150 bovinos/dia no total da Marfrig Alimentos S.A., fortalecendo ainda mais o posicionamento no setor e mantendo a diversificação em sua produção entre diversas proteínas animais”. A companhia justifica a operação estratégica tendo em vista o momento de gradual crescimento na oferta de gado e melhoria do comércio nacional e internacional. No que diz respeito ao compromisso com o meio ambiente, a empresa garante responsabilidade: — A Marfrig reitera seu compromisso de não adquirir gado de fazendas incluídas na relação de áreas embargadas pelo IBAMA, agindo proativamente em relação a produtores que descumprem as legislações vigentes e providenciando imediatamente o seu descredenciamento na relação de fornecedores de animais para corte e que já adota práticas adequadas às legislações ambientais e trabalhistas vigentes, inclusive sendo signatária do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, assinado em 15 de outubro de 2008 — diz a nota.

CORRENDO ATRÁS DE BOI

Marfrig aumenta abate em 65% Após comprar a Seara e arrendar 11 unidades de abate, já fala em fusão com a Minerva Preocupada com a progressiva concentração, a Marfrig Alimentos, após anunciar a compra da Seara na semana passada, voltou as atenções para sua origem e retomou o processo de investimento no mercado de carne bovina. Com uma única tacada, a empresa aumentou em 65% sua capacidade de abate no Brasil, que agora passa a ser de 22,35 mil cabeças por dia. O grupo arrendou 11 unidades de abate, sendo cinco do frigorífico Margen, que estava em processo de recuperação judicial, e seis do frigorífico Mercosul, um dos maiores grupos gaúchos do setor. Com isso, o Rio Grande do Sul entra também no processo de concentração, até agora mais restrito ao Centro-Norte do Brasil. Mas a Marfrig não anunciou apenas a ampliação da capacidade de abate. Distribuição A empresa também comunicou uma parceria no segmento de distribuição com o Grupo Martins, dono da maior empresa de distribuição da América Latina. Em nota distribuída para a imprensa, a Marfrig não fornece detalhes do negócio. Informa apenas que a parceria é de cinco anos, prorrogáveis por mais cinco, e tem por objetivo expandir a atuação da empresa no segmento de varejo e food service. O terceiro anúncio do dia foi no segmento de couros, com a compra de 51% do grupo uruguaio Zenda, por US$ 49,5 milhões. No mercado, o movimento da Marfrig para arrendar as unidades foi considerado uma estratégia para não ficar "pequeno" em comparação à JBS, que na semana passada anunciou uma fusão com a Bertin, além da compra da Pilgrim"s Pride, nos Estados Unidos, que a elevou ao posto de maior indústria de proteína do mundo. Rapidez "Foi até mais rápido do que imaginávamos, mas tanto as conversas com o Margen quanto com o Mercosul já estavam circulando no mercado", afirma Fabiano Tito Rosa, analista da Scot Consultoria. Com os recentes movimentos, as três maiores indústrias de carne bovina do Brasil passam a deter 30% da capacidade instalada para abate. Apesar de terem sido abatidas 40 milhões de cabeças no Brasil, a expectativa é de que o parque industrial tenha uma capacidade para 60 milhões. Desse total, 18% estão nas mãos da JBS, 9% com a Marfrig e 3% com o Minerva, mas esses números podem mudar novamente. Fusão Alguns rumores do mercado dão conta que Marfrig e Minerva estariam avaliando uma fusão de suas operações, para aumentar ainda mais sua capacidade de abate. Diante da nova realidade da indústria, os pecuaristas começam a demonstrar preocupação com o movimento do setor. Em Mato Grosso existe a estimativa de que em algumas regiões do estado exista apenas uma empresa atuando. "Em algumas regiões a JBS será soberana. No caso da Marfrig, a atuação é menor, tinha duas unidades e assumiu agora mais uma que era do Margen", disse Luciano Vacari, superintendente da Associação de Criadores de Mato Grosso (Acrimat). Ele já solicitou à entidade que seja feito um levantamento dos impactos que essas fusões e arrendamentos podem ser sobre a pecuária do estado.

Marfrig contra-ataca

A consolidação no setor de carnes no Brasil ainda não acabou. Depois do movimento sem precedentes de aquisições e fusões de grandes grupos visto nos últimos dias, outras operações, envolvendo empresas de menor porte ou em dificuldades financeiras, devem ocorrer, acreditam analistas e fontes do setor. Ontem, numa espécie de contra-ataque às investidas da JBS-Friboi, a Marfrig Alimentos, que já tinha comprado a Seara, unidade de carnes da americana Cargill, na semana passada, anunciou o arrendamento de 12 plantas dos frigoríficos Margen e Mercosul e a compra de 51% do grupo Zenda, que processa couros bovinos no Uruguai, por US$ 49,5 milhões. Também anunciou parceria com o grupo atacadista Martins, por cinco anos, para buscar ganhos na distribuição e logística dos grupos. Marfrig e JBS travam uma verdadeira disputa por ativos para crescer no mercado de carnes. Por cerca de quatro meses, a Marfrig negociou uma fusão com a Bertin, mas as conversas não vingaram e esta acabou sendo incorporada pela JBS, que também estreou em frango, com a compra Pilgrim's Pride, empresa americana em recuperação judicial. O avanço da JBS atiçou o apetite da Marfrig e acabou favorecendo empresas em dificuldades financeiras, como o Margen, em recuperação judicial, e o Mercosul, que buscava uma parceria. O Marfrig arrendou cinco unidades de abate do Margen, que haviam sido transferidas para a New M, empresa criada dentro do plano de reestruturação da companhia, aprovado em agosto. O arrendamento por cinco anos, com opção de compra, envolveu as plantas de Ariquemes (RO), Rolim de Moura (RO), Rio Verde (GO), Paranaíba (MS) e Mãe do Rio (PA). A operação também incluiu o arrendamento de uma unidade de produção de charque do grupo Margen, que estava excluída da recuperação judicial. A planta fica na capital paulista. O Valor apurou que a incorporação da Bertin pela JBS precipitou o último movimento da Marfrig para ampliar a capacidade de abate de bovinos no País. Com a Bertin, a JBS terá cerca de 20% da capacidade de abate nacional de bovinos, estimada entre 60 milhões e 65 milhões de cabeças. A Marfrig, após os arrendamentos, terá cerca de 11%, conforme cálculos da Scot Consultoria. Com as 11 unidades de abate arrendadas, a Marfrig elevará a capacidade em 8,8 mil animais por dia, para 22.350 bois, no Brasil. Com as unidades no exterior (Argentina e Uruguai) , a capacidade alcançará 30.150 cabeças. Num cenário de empresas "muito mais que grandes", companhias que eram consideradas de porte médio ficaram pequenas e devem procurar saídas para crescer por meio de fusões, acredita Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria. O analista cita como exemplos o frigorífico Minerva, que tem ações na bolsa, e o Mataboi, de capital fechado. "Para uma empresa pequena sobreviver nessa mercado de gigantes, o esforço terá de ser muito maior", observou Tito Rosa. Além dessa categoria, há as empresas em dificuldades financeiras, que buscam ser vendidas ou parcerias para se recuperar. Esse é o caso do Independência e do Arantes, ambos em recuperação judicial e também de capital fechado. Para essas empresas, porém, uma saída pode ser mais demorada, já que dependem da aprovação pelos credores de seus planos de recuperação judicial. Na visão de Tito Rosa, apenas o Conselho Administrativo de Defesa Econômico (Cade) poderia frear o atual movimento de consolidação. "É preciso ver como vão se comportar os órgãos de defesa da concorrência." A crise financeira global acelerou a consolidação no setor de carnes, especialmente em bovinos. Como lembra Tito Rosa, frigoríficos investiram nos últimos anos na ampliação da capacidade de abate num momento de oferta apertada de gado bovino no Brasil por conta do ciclo de baixa da produção. Esse quadro trouxe dificuldades para várias empresas, que foram pegas de calças curtas pela crise global. "A crise derrubou o valor dos ativos e das empresas e abriu oportunidades para quem estava mais sólido", afirma. Apesar de mais sólidas, empresas como JBS e Marfrig terão de buscar recursos para financiar os negócios. No caso da JBS, o presidente Joesley Batista admitiu que pode haver participação da BNDESPar, braço de participações do banco de fomento, na capitalização da subsidiária americana, a JBS USA. O banco já tem fatia de 22,4% da empresa resultado da fusão entre JBS e Bertin. Já a Marfrig fará oferta primária de ações para financiar o pagamento da Seara, adquirida por US$ 900 milhões.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Marfrig arrenda 05 plantas do Margen

Uma semana depois de investir 900 milhões de dólares na compra da Seara, a Marfrig Alimentos arrendou cinco plantas do grupo Margen. A operação tem prazo de 70 meses, com opção de compra das unidades e inclui um confinamento. As plantas estão localizadas em Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará e Rondônia

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Aumento exportações de carnes de MInas

BELO HORIZONTE - O volume das exportações mineiras de carne bovina aumentou 26,3%, no período de janeiro a agosto deste ano. Foram quase 54,4 mil toneladas, na comparação com as 43,1 mil toneladas registradas no mesmo período de 2008, informa o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). A Superintendência de Política e Economia Agrícola da Secretaria da Agricultura do Estado, ao organizar os dados, concluiu que, apesar da retração nos preços médios do produto por causa da crise econômica mundial (queda de quase 17%), houve um aumento de 5% na receita das exportações desse segmento do agronegócio mineiro. O movimento com a carne bovina de Minas no mercado externo no acumulado de janeiro a agosto deste ano foi de US$ 182,6 milhões, em comparação com os US$ 174 milhões registrados no mesmo período de 2008. Para o secretário da Agricultura, Gilman Viana Rodrigues, “o expressivo aumento no volume dos embarques de carne bovina de Minas no período analisado ocorreu principalmente porque não houve desativação de um frigorífico sequer no Estado”. Ele destaca os resultados da comercialização com a Rússia, maior comprador do produto mineiro. Foram embarcadas para aquele país cerca de 15,4 mil toneladas do produto, contra um pouco mais de 10,4 mil toneladas de janeiro a agosto de 2008. Um aumento da ordem de 47%. A receita das exportações mineiras de bovinos para a Rússia ficou praticamente no mesmo nível do mesmo período do ano passado, alcançando quase US$ 42,0 milhões. União Europeia Gilman Viana destaca também as exportações para a União Europeia, explicando que a iniciativa tem alcançado sucesso porque os produtores são incentivados a buscar a certificação. “Minas Gerais possui o maior número de propriedades capazes de fornecer animais para frigoríficos exportadores para a aquele bloco. Das 1566 fazendas aptas em todo o país, 581 estão localizadas em território mineiro”, informa o secretário. Ele ainda observa que “estar apto a exportar para os europeus significa também conseguir o status de fornecedor de carne para os outros países, já que as exigências da UE estão entre as mais rigorosas”. A receita das exportações mineiras de carne bovina para a União Europeia tiveram aumento de quase 90%. Foram US$ 43,2 milhões entre janeiro e agosto deste ano na comparação com os US$ 22,8 milhões registrados no mesmo período de 2008. O volume exportado até agosto deste ano foi de 6,4 mil toneladas, contra as 3,3 mil toneladas no acumulado dos oito meses do ano passado.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Isenção do PIS/Cofins leva euforia para os frigoríficos

SÃO PAULO - Empresas do setor de carnes que atuam no mercado interno terão a oportunidade de ajustar seu balanço anual com ganhos no último trimestre. Com a aprovação da Medida Provisória 462 pela Câmara dos Deputados, os frigoríficos deixarão de recolher PIS/Cofins, que representam 4,5% do faturamento dessas empresas. O benefício já era concedido pela Lei Kandir aos frigoríficos que atuam no mercado externo. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), o setor recolhia cerca de R$ 140 milhões por ano com o pagamento do tributo. O texto já havia sido aprovado no Senado e deverá ser objeto de sanção presidencial ainda nesta semana. Uma vez sancionada, vigora no mês subsequente e a expectativa é de que a nova emenda passe a vigorar já a partir da próxima quinta-feira, 1º de outubro. Segundo Péricles Salazar, presidente da Abrafrigo, a medida que é reivindicada por essas empresas há quase cinco anos corrige distorção tributária e é uma das mais importantes conquistas para o setor como um todo. "Com a desoneração esses frigoríficos vão poder respirar e retomar seu desenvolvimento", afirmou. Salazar destacou ainda o fato de que a sanção deve reduzir o número de abates clandestinos no País já que empresas que não tinham capacidade de arrecadar poderão operar normalmente. Segundo o presidente da Abrafrigo, o setor conseguiu uma solução técnica que atende tanto os frigoríficos exportadores como os que somente comercializam seus produtos no mercado interno. No entanto, ele ressaltou que a disputa por espaço no mercado deve permanecer desigual. "Ficamos preocupados com essas fusões recentes que diminuem nossa competitividade", disse. Salazar afirmou que a Abrafrigo irá monitorar o mercado e caso haja uma manipulação dos preços por parte das gigantes Marfrig, JBS e Bertin a entidade irá intervir. Com a assinatura do protocolo de intenções com os frigoríficos Margen e Mercosul para o arrendamento de 11 plantas de abate de bovinos a Marfrig adicionou uma capacidade estática de 8,8 mil bovinos por dia às suas plantas de abate, alcançando uma capacidade de abate de 22.350 bovinos por dia no Brasil e eleva sua participação na capacidade estática de abate brasileira (estimada em 60 milhões de cabeças por ano) para quase 11%. "Vale lembrar que a fusão entre JBS-Friboi e Bertin já havia criado uma nova empresa com capacidade estática de abate equivalente a 19% do total nacional", destacou Lygia Pimentel, analista da Scot Consultoria. "Dessa forma, duas empresas passam a responder por 30% da capacidade estática de abate do Brasil e por quase 70% das exportações nacionais de carne bovina", afirmou. O Mato Grosso é a região de maior concentração da atuação dessas empresas. Só a JBS passa a ser responsável por 45,3% dos abates no Estado. Este ano a empresa já havia assumido as plantas do frigorífico Quatro Marcos que estavam fechadas nos municípios de Cuiabá, Juara, Colider, Alta Floresta e São José dos Quatro Marcos. Com a associação ao Bertin, a capacidade sobe para 12.266 animais por dia, com a adição das plantas de Diamantino e Água Boa. O estado vem passando por uma transformação na sua estrutura industrial frigorífica, que desde o início do ano assistiu ao fechamento de 15 plantas e à concentração dos abates em poucas unidades industriais. Para a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), esta situação merece atenção por parte dos produtores. Segundo Guto Zanata, do Departamento Técnico da Federação, o nível de investimento na cadeia produtiva se mantém retraído, porém imprevisível quanto ao que poderá ocorrer nos próximos meses. Recuperação Judicial

Isenção do PIS/Cofins leva euforia para os frigoríficos

Priscila Machado SÃO PAULO - Empresas do setor de carnes que atuam no mercado interno terão a oportunidade de ajustar seu balanço anual com ganhos no último trimestre. Com a aprovação da Medida Provisória 462 pela Câmara dos Deputados, os frigoríficos deixarão de recolher PIS/Cofins, que representam 4,5% do faturamento dessas empresas. O benefício já era concedido pela Lei Kandir aos frigoríficos que atuam no mercado externo. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), o setor recolhia cerca de R$ 140 milhões por ano com o pagamento do tributo. O texto já havia sido aprovado no Senado e deverá ser objeto de sanção presidencial ainda nesta semana. Uma vez sancionada, vigora no mês subsequente e a expectativa é de que a nova emenda passe a vigorar já a partir da próxima quinta-feira, 1º de outubro. Segundo Péricles Salazar, presidente da Abrafrigo, a medida que é reivindicada por essas empresas há quase cinco anos corrige distorção tributária e é uma das mais importantes conquistas para o setor como um todo. "Com a desoneração esses frigoríficos vão poder respirar e retomar seu desenvolvimento", afirmou. Salazar destacou ainda o fato de que a sanção deve reduzir o número de abates clandestinos no País já que empresas que não tinham capacidade de arrecadar poderão operar normalmente. Segundo o presidente da Abrafrigo, o setor conseguiu uma solução técnica que atende tanto os frigoríficos exportadores como os que somente comercializam seus produtos no mercado interno. No entanto, ele ressaltou que a disputa por espaço no mercado deve permanecer desigual. "Ficamos preocupados com essas fusões recentes que diminuem nossa competitividade", disse. Salazar afirmou que a Abrafrigo irá monitorar o mercado e caso haja uma manipulação dos preços por parte das gigantes Marfrig, JBS e Bertin a entidade irá intervir. Com a assinatura do protocolo de intenções com os frigoríficos Margen e Mercosul para o arrendamento de 11 plantas de abate de bovinos a Marfrig adicionou uma capacidade estática de 8,8 mil bovinos por dia às suas plantas de abate, alcançando uma capacidade de abate de 22.350 bovinos por dia no Brasil e eleva sua participação na capacidade estática de abate brasileira (estimada em 60 milhões de cabeças por ano) para quase 11%. "Vale lembrar que a fusão entre JBS-Friboi e Bertin já havia criado uma nova empresa com capacidade estática de abate equivalente a 19% do total nacional", destacou Lygia Pimentel, analista da Scot Consultoria. "Dessa forma, duas empresas passam a responder por 30% da capacidade estática de abate do Brasil e por quase 70% das exportações nacionais de carne bovina", afirmou. O Mato Grosso é a região de maior concentração da atuação dessas empresas. Só a JBS passa a ser responsável por 45,3% dos abates no Estado. Este ano a empresa já havia assumido as plantas do frigorífico Quatro Marcos que estavam fechadas nos municípios de Cuiabá, Juara, Colider, Alta Floresta e São José dos Quatro Marcos. Com a associação ao Bertin, a capacidade sobe para 12.266 animais por dia, com a adição das plantas de Diamantino e Água Boa. O estado vem passando por uma transformação na sua estrutura industrial frigorífica, que desde o início do ano assistiu ao fechamento de 15 plantas e à concentração dos abates em poucas unidades industriais. Para a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), esta situação merece atenção por parte dos produtores. Segundo Guto Zanata, do Departamento Técnico da Federação, o nível de investimento na cadeia produtiva se mantém retraído, porém imprevisível quanto ao que poderá ocorrer nos próximos meses. Recuperação Judicial Produtores mato-grossenses com crédito a receber do Independência não aceitaram proposta do Plano de Recuperação Judicial do frigorífico e seguem para a Assembleia Geral decididos a receber toda a divida. Os 494 credores do frigorífico no estado seguem para a Assembleia Geral, no próximo dia 28 de setembro, decididos a receber R$ 55,6 milhões com juros e correção monetária. "Não abrimos mão desse direito do produtor. Nossa proposta é o pagamento de 100%", disse Marcos da Rosa, presidente da Comissão de Credores dos Frigoríficos em Recuperação Judicial de Mato Grosso.

Preços sugeridos semana

Alcatra com maminha R$ 11,00 Contra filet sem noix R$ 11,00 Noix R$ 10,80 Lagarto R$ 8,00 Coxão Duro R$ 7,80 Coxão Mole R$ 8,50 Patinho R$ 8,20 Picanha B R$ 15,50 Mignon cordão R$ 15,80 03 cortes do dianteiro R$ 5,50 kg Musculo dianteiro R$ 5,20 kg

JBS torna-se a terceira maior empresa do país

São Paulo, SP, 17 de Setembro - A fusão com a Bertin e a compra de uma das maiores empresas de frango dos EUA, a Pilgrim's Pride, fazem da JBS a terceira maior empresa brasileira não financeira em receita líquida, segundo cálculos do Valor Data com base nos dados de 2008. A receita líquida do grupo, R$ 51,6 bilhões, o torna a maior empresa de proteínas do mundo, passando a Tyson Foods, e também muito à frente da BRF - Brasil Foods, resultado da compra da Sadia pela Perdigão, cujo faturamento líquido é de R$ 22 bilhões. A aquisição da Pilgrim's Pride, que pediu proteção contra a falência em dezembro de 2008, significa a diversificação da JBS, com a entrada no segmento de aves. A reação imediata do mercado foi muito favorável, com suas ações subindo 8,8%. Para financiar a aquisição da Pilgrim's, a JBS negocia capitalização por meio de emissão privada de ações de US$ 2,5 bilhões da JBS USA. A compra não está condicionada ao aporte. A empresa busca interessados na emissão, que pode ter participação do BNDES, segundo fontes do setor. Especialistas tentavam ontem estabelecer o valor atribuído à Bertin, de capital fechado. Sabe-se que os controladores da JBS contribuirão com 51% das ações da empresa para ficar com 60% da Nova Holding, enquanto os controladores da Bertin aportarão 73% do capital para ter 40%. Considerando o valor de mercado da JBS, de R$ 11,4 bilhões, a fatia dos controladores na Nova Holding seria de R$ 5,83 bilhões. Assim, os 40% da Bertin valeriam R$ 3,88 bilhões. Com isso, para o capital total da Bertin chega-se ao valor de R$ 5,35 bilhões. Somando-se a dívida líquida da Bertin, o valor é de quase R$ 9,3 bilhões.

JBS compra a Pilgrim's nos EUA

Batista negocia recursos para pagar a Pilgrim's; BNDES pode participar

São Paulo e Rio de Janeiro, 17 de Setembro - Para financiar a aquisição da Pilgrim's Pride, a JBS está negociando uma capitalização por meio de uma emissão privada de US$ 2,5 bilhões pela JBS USA. A empresa diz que a compra não está condicionada a esse aporte e que o objetivo, com a capitalização, é manter a sua alavancagem, hoje em 2,6 vezes (dívida líquida sobre lajida). A operação resultará em uma participação de, no máximo, 26,3% do capital da JBS USA pós capitalização. Joesley Batista, presidente da JBS, disse que está buscando interessados em participar da emissão e não descartou que seja formado um fundo de investimentos em participações (FIP) com esse fim. Fontes do setor afirmam que o BNDES pode participar da emissão privada da empresa nos Estados Unidos. Questionado, Batista afirmou que o apoio do BNDES é bem-vindo. O banco, por meio da BNDESPar, já tinha 19,4% do capital da JBS (considerando participação direta e indireta). Na Bertin, com a qual a JBS acaba de se fundir, a participação era de 26,9%. A fatia do banco após a união das duas será de 22,4% do capital total. Em nota, o BNDES diz que "tem dado grande apoio ao agronegócio brasileiro (...) A aquisição de participações acionárias por parte do BNDES tem o objetivo de estimular o aprimoramento da governança corporativa, bem como das práticas socioambientais destas companhias". Em relação à fusão entre a JBS e a Bertin, o BNDES, diz ver "de forma positiva essa união, que resultará na maior empresa de proteína animal do mundo, com grande potencial de geração de sinergias, que já nasce listada no Novo Mercado". O BNDES diz ver também positivamente "o processo de internacionalização da JBS e seus planos de abertura de capital da JBS USA nos EUA". O BNDES já apoiou operações anteriores realizadas pela JBS. Em 2004, financiou a compra da Swift Armour na Argentina e em 2007 participou de FIP para investimento na aquisição da americana Swift Foods Company. O banco também tem estimulado a formação de grandes grupos, como a BRF-Brasil Foods, a compra da Seara pela Marfrig e, agora, a união entre JBS e Bertin. Em função da compra da Pilgrim's Pride nos EUA, a JBS também acabou postergando a operação de oferta pública de ações da JBS USA, na qual espera obter US$ 2 bilhões. A intenção é usar esses recursos na expansão da rede de distribuição direta da companhia nos Estados Unidos. Joesley Batista disse que a empresa também tem "disponibilidades de US$ 1,5 bilhão" que podem ser usados como financiamento para a JBS. A aquisição da Pilgrim's pela JBS está dentro do plano de recuperação judicial da empresa americana, que em dezembro pediu proteção contra falência. Por isso está sujeita à aprovação do tribunal falimentar do Estado do Texas, o que as duas empresas esperam ocorrer em dezembro próximo. " Na sua conclusão, a aquisição contará com linhas de crédito suficientes para financiar dívida de aproximadamente US$ 1,5 bilhão " , diz comunicado da JBS ao mercado. A operação entre as duas empresas também terá de ser submetida aos órgãos reguladores da concorrência nos Estados Unidos. Batista disse que a JBS não fará novas aquisições este ano. "A JBS segue olhando oportunidades, mas para 2009 o dever de casa está feito", afirmou . Ele observou ainda que a empresa só pretende expandir sua atuação em locais onde já está. (Colaborou Francisco Góes, do Rio)