carré .......................................................R$ 4,80/kg
costela inteira ..........................................R$ 6,20/kg
copa lombo ............................................ R$ 5,20/kg
pernil c/osso ind. .....................................R$ 4,30/kg
pernil s/osso ............................................R$ 5,30/kg
barriga .....................................................R$ 4,70/kg
bacon barriga ...........................................R$ 6,30/kg
carcaça tipo exportação............................R$ 4,00/kg
Um blog para falar sobre o mercado da carne bovina,suina ,aves e seus cortes no Rio de Janeiro, tentando passar as melhores informações possiveis, do que realmente á falado na Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio de Janeiro, com linguagem simples assim como o clipping de informações importantes de toda a cadeia produtiva.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Laticínios: Itambé diz não à Friboi e quer a fusão de cinco cooperativas
A Itambé, maior cooperativa de laticínios e terceira maior indústria do setor no país, com cinco unidades produtoras, recusou, no mês passado, uma oferta de aquisição pela Friboi e trabalha agora para que aconteça uma fusão entre cinco cooperativas de leite.
Se acontecer a fusão entre as mineiras Itambé, Cemil e Minas Leite, a paranaense Confepar e a goiana Centroleite, a nova empresa passaria a ser a maior do setor de laticínios no país em volume, com 2,5 bilhões de litros de leite por ano. Ultrapassaria a Nestlé (com cerca de 1,9 bilhão de litros) e a Perdigão (aproximadamente 1,5 bilhão). Sozinha, a Itambé responde hoje por cerca de 1,2 bilhão de litros por ano.
Na segunda quinzena de março, a PricewaterhouseCoopers (empresa de auditoria) deve entregar os estudos finais sobre a fusão, com a parte que caberia a cada um no negócio. Depois, ocorreriam as conversas finais entre as cooperativas, que poderiam concretizar a fusão.
"Se o pessoal concordar com as avaliações que a auditoria definir, virá a fase mais burocrática, com diligências, contratos, advogados. Mas, se os números forem validados por todos, é um grande avanço", disse Jacques Gontijo, presidente da Itambé.
Em 2009 algumas dessas cooperativas já conversaram sobre a união, mas não houve acordo. "Estou muito animado", afirmou Gontijo.
A recusa à proposta da Friboi foi feita no mesmo dia em que ela foi apresentada em janeiro. Mas essa não foi a primeira proposta a ser recusada. No final de 2009, outras duas grandes empresas procuraram a Itambé também com propostas de compra, ambas recusadas. A empresa não quis revelar os nomes dos interessados.
Gontijo diz que "o mundo está levando" as empresas a se unirem para que sejam competitivas e que as cooperativas não estão imunes a isso. Mas a intenção da Itambé, diz ele, é que a fusão não fique apenas na criação de uma megacentral de cooperativas. Desde já, os envolvidos fazem planos e discutem a viabilidade de transformar a futura megacentral em uma S/A., com a participação de um sócio estratégico, como a BNDESPar. (PP)
Se acontecer a fusão entre as mineiras Itambé, Cemil e Minas Leite, a paranaense Confepar e a goiana Centroleite, a nova empresa passaria a ser a maior do setor de laticínios no país em volume, com 2,5 bilhões de litros de leite por ano. Ultrapassaria a Nestlé (com cerca de 1,9 bilhão de litros) e a Perdigão (aproximadamente 1,5 bilhão). Sozinha, a Itambé responde hoje por cerca de 1,2 bilhão de litros por ano.
Na segunda quinzena de março, a PricewaterhouseCoopers (empresa de auditoria) deve entregar os estudos finais sobre a fusão, com a parte que caberia a cada um no negócio. Depois, ocorreriam as conversas finais entre as cooperativas, que poderiam concretizar a fusão.
"Se o pessoal concordar com as avaliações que a auditoria definir, virá a fase mais burocrática, com diligências, contratos, advogados. Mas, se os números forem validados por todos, é um grande avanço", disse Jacques Gontijo, presidente da Itambé.
Em 2009 algumas dessas cooperativas já conversaram sobre a união, mas não houve acordo. "Estou muito animado", afirmou Gontijo.
A recusa à proposta da Friboi foi feita no mesmo dia em que ela foi apresentada em janeiro. Mas essa não foi a primeira proposta a ser recusada. No final de 2009, outras duas grandes empresas procuraram a Itambé também com propostas de compra, ambas recusadas. A empresa não quis revelar os nomes dos interessados.
Gontijo diz que "o mundo está levando" as empresas a se unirem para que sejam competitivas e que as cooperativas não estão imunes a isso. Mas a intenção da Itambé, diz ele, é que a fusão não fique apenas na criação de uma megacentral de cooperativas. Desde já, os envolvidos fazem planos e discutem a viabilidade de transformar a futura megacentral em uma S/A., com a participação de um sócio estratégico, como a BNDESPar. (PP)
JBS na Austrália
O JBS confirmou ontem a conclusão do processo de aquisição da empresa australiana Tatiara Meat Company (TMC), após a aprovação pelos órgãos oficiais da Austrália. A companhia também informou a incorporação imediata dos novos ativos, o que torna a empresa a líder de mercado no país no setor de ovinos.
Com receitas ligeiramente inferiores a US$ 200 milhões, a TMC reforçará a presença da JBS Austrália no mercado de exportação de carne de cordeiro de alta qualidade, no qual a Austrália tem aumentado sua participação nos últimos anos. A JBS pagou aproximadamente US$ 27 milhões pela companhia australiana
Com receitas ligeiramente inferiores a US$ 200 milhões, a TMC reforçará a presença da JBS Austrália no mercado de exportação de carne de cordeiro de alta qualidade, no qual a Austrália tem aumentado sua participação nos últimos anos. A JBS pagou aproximadamente US$ 27 milhões pela companhia australiana
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
MDIC: receita de exportadoras de carne sobe em janeiro
As maiores cias exportadoras de carnes brasileiras registraram aumento das exportações em janeiro, em comparação ao mesmo período de 2009, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). De acordo com o levantamento do órgão que pertence ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a Marfrig Alimentos foi a companhia do setor que apresentou o maior avanço no intervalo, de 110,6% na receita obtida com as vendas externas. A companhia exportou o equivalente a US$ 48,15 milhões no mês passado, ante US$ 22,86 milhões em janeiro de 2009. Em relação a dezembro, a expansão foi de 0,5%.
A BRF-Brasil Foods, no entanto, ocupa a posição de líder nas exportações de carnes e aparece como a oitava maior exportadora brasileira na relação do Ministério. Em janeiro de 2010, a antiga Perdigão vendeu ao exterior US$ 141,85 milhões. O levantamento do MDIC não fornece comparativo para essa indústria, que no ano passado passou por uma reestruturação. Em comparação com dezembro, houve uma queda de 14,8% nas exportações da companhia, que somaram US$ 166,62 milhões na ocasião.
A Sadia, que mesmo após a fusão continua separada da BRF operacionalmente, em obediência ao Acordo de Preservação da Reversibilidade da Operação (Apro) assinado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), vendeu a outros países US$ 125,88 milhões em janeiro, um crescimento de 2% em comparação ao mesmo período do ano passado, mas uma queda de 26,3% ante dezembro.
O Minerva, por sua vez, avança na lista dos maiores exportadores brasileiros, com um aumento de 57,6% nas vendas externas em janeiro. No mês passado, as exportações do frigorífico somaram US$ 64,95 milhões, ante US$ 41,2 milhões em janeiro de 2009. Em comparação a dezembro, houve retração de 10,9%.
As vendas externas da JBS Friboi a partir do Brasil cresceram 39,6% no primeiro mês de 2010, ante janeiro de 2009, para US$ 60,65 milhões. Em relação a dezembro, porém, o MDIC apurou uma retração de 25,2%. Já as exportações do frigorífico Bertin, que no ano passado se associou à JBS, permaneceram praticamente estáveis em janeiro e caíram 20,8% ante dezembro, somando US$ 79,82 milhões no mês passado.
A BRF-Brasil Foods, no entanto, ocupa a posição de líder nas exportações de carnes e aparece como a oitava maior exportadora brasileira na relação do Ministério. Em janeiro de 2010, a antiga Perdigão vendeu ao exterior US$ 141,85 milhões. O levantamento do MDIC não fornece comparativo para essa indústria, que no ano passado passou por uma reestruturação. Em comparação com dezembro, houve uma queda de 14,8% nas exportações da companhia, que somaram US$ 166,62 milhões na ocasião.
A Sadia, que mesmo após a fusão continua separada da BRF operacionalmente, em obediência ao Acordo de Preservação da Reversibilidade da Operação (Apro) assinado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), vendeu a outros países US$ 125,88 milhões em janeiro, um crescimento de 2% em comparação ao mesmo período do ano passado, mas uma queda de 26,3% ante dezembro.
O Minerva, por sua vez, avança na lista dos maiores exportadores brasileiros, com um aumento de 57,6% nas vendas externas em janeiro. No mês passado, as exportações do frigorífico somaram US$ 64,95 milhões, ante US$ 41,2 milhões em janeiro de 2009. Em comparação a dezembro, houve retração de 10,9%.
As vendas externas da JBS Friboi a partir do Brasil cresceram 39,6% no primeiro mês de 2010, ante janeiro de 2009, para US$ 60,65 milhões. Em relação a dezembro, porém, o MDIC apurou uma retração de 25,2%. Já as exportações do frigorífico Bertin, que no ano passado se associou à JBS, permaneceram praticamente estáveis em janeiro e caíram 20,8% ante dezembro, somando US$ 79,82 milhões no mês passado.
Pilgrim´s disputada
Cinco cidades do Colorado (EUA) tentam atrair executivos da processadora de aves Pilgrim"s Pride que estão de mudança para a região depois que a empresa foi adquirida pela brasileira JBS. Uma caravana de prefeitos e empresários viaja esta semana a Pittsburg, no Estado do Texas, onde está sediada a Pilgrim´s, para apresentar as vantagens de morar nas suas respectivas cidades. "Só temos a ganhar se esses executivos resolverem viver nas nossas cidades", afirmou ao Valor o presidente da Upstate Colorado, Larry Burkhardt, a agência de promoção do desenvolvimento econômico que organiza a excursão.
Os Estados Unidos atravessam uma grave recessão, que elevou a taxa de desemprego a 10%, e os bons salários pagos aos executivos da empresa brasileira são uma forma de injetar dinheiro novo nas economias locais. "Vamos fornecer todas as informações para eles selecionarem uma das nossas cidades para morar." O controle acionário da Pilgrim"s, segunda maior processadora de aves dos Estados Unidos que estava em "recuperação judicial", foi adquirido em setembro de 2009 pela JBS USA, subsidiária da brasileira JBS, por US$ 800 milhões. O presidente da JBS USA, Wesley Batista, diz que, como parte da restruturação administrativa do negócio, serão adicionados 400 novos funcionários na sede do frigorífico, na cidade de Greeley, no Estado do Colorado. "Cerca de metade desses novos funcionários virão da sede da Pilgrim"s no Texas", disse Batista ao Valor. Além de Greeley, quatro outras cidades tentam seduzir os executivos: Windsor, Evans, Johnstown e Milliken.
Nessa empreitada, eles têm que enfrentar a concorrência de Fort Collins, uma localidade mais abastada da região em que vivem os três principais executivos da JBS USA, incluindo Batista. "O custo de vida nas nossas cidades é bastante acessível e temos uma boa estrutura de serviços, comércio e lazer", afirma Burkhardt. "É possível comprar uma casa por bem menos do que se paga em outras regiões do país", acrescenta. A delegação irá exibir vídeos institucionais para os funcionários da Pilgrim"s, mostrando atrativos da região, e empresários estarão à disposição para oferecer serviços e esclarecer dúvidas.
O grupo inclui corretores de imóveis, donos de creches e até mesmo agência de empregos. "Muitos dos funcionários são casados", explica Burkhardt. "Maridos e mulheres vão ter que arrumar novos empregos quando se mudarem." Com 3.650 funcionários, a JBS USA é a maior empregadora da região coberta pela Upstate Colorado. Burkhardt diz que a região tem tido um desempenho econômico relativamente positivo, comparando com o resto do país, porque atraiu novas indústrias nos últimos anos, como uma fabricante de motores elétricos para veículos. A JBS também vem se expandindo na região.
Além de ampliar a área administrativa com a aquisição da Pilgrim"s, o frigorífico comprou recentemente um imóvel na cidade onde irá instalar um novo centro de distribuição, que, segundo as estimativas do governo local, deverá criar mais 800 empregos. Já a cidade de Pittsburg, no Texas, onde fica a sede da Pilgrim"s, que saiu da recuperação judicial em dezembro, vem perdendo postos de trabalho.
A integração com a companhia brasileira levou à extinção de cerca de 230 empregos na área administrativa da indústria de aves. Agora, 200 postos de trabalho devem ser realocados ao Colorado. A Upstate Colorado é uma das cerca de 15 mil agências de desenvolvimento econômico que existem nos Estados Unidos. É uma organização sem fins lucrativos, que tem como cotistas os governos das 31 cidades da região e empresas privadas. Normalmente, os esforços dessas agências são para atrair novas companhias. Mas a experiência de atrair empregados não é nova.
A Upstate Colorado fez um esforço semelhante na década de 1980 quando o frigorífico Monfort, do Colorado, comprou a concorrente Swift. A JBS ganhou musculatura nos Estados Unidos com a compra da Swift, então sediada no Colorado, em maio de 2007. De lá para cá, a empresa brasileira adquiriu o controle de outras companhias americanas, como a Smithfield Beef, e alguns dos funcionários se mudaram do Estado de Iowa para o Colorado. "Não temos planos de fazer novas aquisições", disse Batista. "Primeiro, vamos consolidar o que já temos", acrescentou o presidente da JBS USA.
Os Estados Unidos atravessam uma grave recessão, que elevou a taxa de desemprego a 10%, e os bons salários pagos aos executivos da empresa brasileira são uma forma de injetar dinheiro novo nas economias locais. "Vamos fornecer todas as informações para eles selecionarem uma das nossas cidades para morar." O controle acionário da Pilgrim"s, segunda maior processadora de aves dos Estados Unidos que estava em "recuperação judicial", foi adquirido em setembro de 2009 pela JBS USA, subsidiária da brasileira JBS, por US$ 800 milhões. O presidente da JBS USA, Wesley Batista, diz que, como parte da restruturação administrativa do negócio, serão adicionados 400 novos funcionários na sede do frigorífico, na cidade de Greeley, no Estado do Colorado. "Cerca de metade desses novos funcionários virão da sede da Pilgrim"s no Texas", disse Batista ao Valor. Além de Greeley, quatro outras cidades tentam seduzir os executivos: Windsor, Evans, Johnstown e Milliken.
Nessa empreitada, eles têm que enfrentar a concorrência de Fort Collins, uma localidade mais abastada da região em que vivem os três principais executivos da JBS USA, incluindo Batista. "O custo de vida nas nossas cidades é bastante acessível e temos uma boa estrutura de serviços, comércio e lazer", afirma Burkhardt. "É possível comprar uma casa por bem menos do que se paga em outras regiões do país", acrescenta. A delegação irá exibir vídeos institucionais para os funcionários da Pilgrim"s, mostrando atrativos da região, e empresários estarão à disposição para oferecer serviços e esclarecer dúvidas.
O grupo inclui corretores de imóveis, donos de creches e até mesmo agência de empregos. "Muitos dos funcionários são casados", explica Burkhardt. "Maridos e mulheres vão ter que arrumar novos empregos quando se mudarem." Com 3.650 funcionários, a JBS USA é a maior empregadora da região coberta pela Upstate Colorado. Burkhardt diz que a região tem tido um desempenho econômico relativamente positivo, comparando com o resto do país, porque atraiu novas indústrias nos últimos anos, como uma fabricante de motores elétricos para veículos. A JBS também vem se expandindo na região.
Além de ampliar a área administrativa com a aquisição da Pilgrim"s, o frigorífico comprou recentemente um imóvel na cidade onde irá instalar um novo centro de distribuição, que, segundo as estimativas do governo local, deverá criar mais 800 empregos. Já a cidade de Pittsburg, no Texas, onde fica a sede da Pilgrim"s, que saiu da recuperação judicial em dezembro, vem perdendo postos de trabalho.
A integração com a companhia brasileira levou à extinção de cerca de 230 empregos na área administrativa da indústria de aves. Agora, 200 postos de trabalho devem ser realocados ao Colorado. A Upstate Colorado é uma das cerca de 15 mil agências de desenvolvimento econômico que existem nos Estados Unidos. É uma organização sem fins lucrativos, que tem como cotistas os governos das 31 cidades da região e empresas privadas. Normalmente, os esforços dessas agências são para atrair novas companhias. Mas a experiência de atrair empregados não é nova.
A Upstate Colorado fez um esforço semelhante na década de 1980 quando o frigorífico Monfort, do Colorado, comprou a concorrente Swift. A JBS ganhou musculatura nos Estados Unidos com a compra da Swift, então sediada no Colorado, em maio de 2007. De lá para cá, a empresa brasileira adquiriu o controle de outras companhias americanas, como a Smithfield Beef, e alguns dos funcionários se mudaram do Estado de Iowa para o Colorado. "Não temos planos de fazer novas aquisições", disse Batista. "Primeiro, vamos consolidar o que já temos", acrescentou o presidente da JBS USA.
Auditoria: missão europeia chega a MT no dia 2 de março
No período de 2 a 15 de março, a missão técnica do FVO (FoodVeterinary Office), órgão da Comunidade Europeia responsável por fiscalizar o cumprimento da legislação sobre segurança alimentar, saúde animal, sanidade vegetal e bem-estar animal, estará no Brasil. O objetivo da missão é auditar os serviços veterinários oficiais dos estados exportadores àquele grupo, como Mato Grosso, que recebe os técnicos no próximo dia 2 de março e deverá durar uma semana.
“Os resultados desta visita são fundamentais para que o estado possa manter e ampliar suas exportações de carne bovina para a União Europeia”, disse o diretor-tesoureiro da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Eduardo Alves Ferreira.
Durante a missão, haverá visitas a fazendas, frigoríficos e escritórios do serviço de defesa sanitária oficial de cada estado. O objetivo é verificar se as exigências do sistema de rastreabilidade bovina vêm sendo cumpridas pelas indústrias e propriedades credenciadas.
Atualmente, 338 propriedades estão aptas a exportar para a UE. Os técnicos vão checar a situação das propriedades enquadradas no Sisbov, o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina. Por uma questão estratégica, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) não divulga os nomes de municípios, propriedades e plantas frigoríficas a serem visitadas.
Além de Mato Grosso, os outros estados do Centro-Oeste – Mato Grosso do Sul e Goiás – também deverão ser incluídos na agenda dos europeus.
“Os resultados desta visita são fundamentais para que o estado possa manter e ampliar suas exportações de carne bovina para a União Europeia”, disse o diretor-tesoureiro da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Eduardo Alves Ferreira.
Durante a missão, haverá visitas a fazendas, frigoríficos e escritórios do serviço de defesa sanitária oficial de cada estado. O objetivo é verificar se as exigências do sistema de rastreabilidade bovina vêm sendo cumpridas pelas indústrias e propriedades credenciadas.
Atualmente, 338 propriedades estão aptas a exportar para a UE. Os técnicos vão checar a situação das propriedades enquadradas no Sisbov, o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina. Por uma questão estratégica, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) não divulga os nomes de municípios, propriedades e plantas frigoríficas a serem visitadas.
Além de Mato Grosso, os outros estados do Centro-Oeste – Mato Grosso do Sul e Goiás – também deverão ser incluídos na agenda dos europeus.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Britânico “The Guardian” assesta armas contra carne brasileira
Em matéria ilustrada com foto de poedeiras criadas em gaiola de uma granja brasileira (reprodução abaixo), o jornal britânico The Guardian afirma ter feito pesquisa na qual constatou que um quarto da carne comercializada no Reino Unido vem de produtores que não estão obrigados a obedecer às normas internas de bem-estar animal. Entre eles estão fornecedores do Brasil.
De acordo com o jornal, as más condições em que os animais são mantidos abrangem alta densidade em galpões de frangos e de perus, gaiolas de parição onde porcas são mantidas o ano inteiro e “castração física sem anestesia de javalis”. Não é o que ocorre no Reino Unido, onde os padrões de bem-estar animal são relativamente elevados comparativamente ao resto do mundo, “aqui inclusa a União Europeia”.
Mas embora o criador britânico atenda obrigatoriamente a esses padrões, não existe qualquer restrição na importação de carnes de países que não atendem aos mesmos requisitos e nos quais os custos são geralmente menores – diz o jornal. Daí um crescente clamor (de consumidores e de organizações de produtores) pela melhor identificação (rotulagem) dos produtos, para que haja uniformização dos procedimentos, “pelo menos na União Européia”.
Conforme o The Guardian, 25% da carne avícola consumida no Reino Unido vem de sete países europeus e do Brasil. Esses oito países “permitem a criação de frangos em alta densidade e não obrigam os criadores a manterem em boas condições a cama dos aviários”.
A propósito da densidade, o jornal cita que a legislação britânica a limita a 38 kg por metro quadrado (cerca de 15 aves com 2,5 kg), enquanto no restante da União Européia é permitido até um terço a mais (50 quilos ou 20 aves). Da mesma forma, o Reino Unido é mais exigente nas normas de acesso a comedouros e bebedouros, bem como na utilização de material de cama que seja confortável para as aves.
Clique aqui para acessar a íntegra da matéria, em inglês, divulgada no site do The Guardian. Aparentemente, sua preocupação é o bem-estar animal, mas o que está realmente em jogo é a proteção de mercado. Em cuja defesa poderá ser requerido (dos fornecedores externos) o atendimento das mesmas normas internas.
A propósito: aqui mencionamos apenas as carnes avícolas. Mas o The Guardian também fala da carne bovina fornecida pelo Brasil, “onde é permitida a marcação a fogo, a descorna e a castração sem anestesia”.
De acordo com o jornal, as más condições em que os animais são mantidos abrangem alta densidade em galpões de frangos e de perus, gaiolas de parição onde porcas são mantidas o ano inteiro e “castração física sem anestesia de javalis”. Não é o que ocorre no Reino Unido, onde os padrões de bem-estar animal são relativamente elevados comparativamente ao resto do mundo, “aqui inclusa a União Europeia”.
Mas embora o criador britânico atenda obrigatoriamente a esses padrões, não existe qualquer restrição na importação de carnes de países que não atendem aos mesmos requisitos e nos quais os custos são geralmente menores – diz o jornal. Daí um crescente clamor (de consumidores e de organizações de produtores) pela melhor identificação (rotulagem) dos produtos, para que haja uniformização dos procedimentos, “pelo menos na União Européia”.
Conforme o The Guardian, 25% da carne avícola consumida no Reino Unido vem de sete países europeus e do Brasil. Esses oito países “permitem a criação de frangos em alta densidade e não obrigam os criadores a manterem em boas condições a cama dos aviários”.
A propósito da densidade, o jornal cita que a legislação britânica a limita a 38 kg por metro quadrado (cerca de 15 aves com 2,5 kg), enquanto no restante da União Européia é permitido até um terço a mais (50 quilos ou 20 aves). Da mesma forma, o Reino Unido é mais exigente nas normas de acesso a comedouros e bebedouros, bem como na utilização de material de cama que seja confortável para as aves.
Clique aqui para acessar a íntegra da matéria, em inglês, divulgada no site do The Guardian. Aparentemente, sua preocupação é o bem-estar animal, mas o que está realmente em jogo é a proteção de mercado. Em cuja defesa poderá ser requerido (dos fornecedores externos) o atendimento das mesmas normas internas.
A propósito: aqui mencionamos apenas as carnes avícolas. Mas o The Guardian também fala da carne bovina fornecida pelo Brasil, “onde é permitida a marcação a fogo, a descorna e a castração sem anestesia”.
Mercado cortes contra e alcatra.
Embora os frigorificos pedissem na alcatra e contra, na quarta-feira entre R$ 8,80 a R$ 9,00 kg , na verdade esses produtos foram negociados entre R$ 8,50 a R$ 8,70 kg a prazo dependendo da procedencia do produto e ainda a R$ 8,40 a vista .
Brasil ganha espaço na venda de boi em pé e ameaça líderes
A exportação de boi em pé no Brasil cresceu, em seis anos, 24.000%. De acordo com o departamento de agricultura dos Estados Unidos (USDA), o País deve avançar, em 2010, mais 20%, enquanto a taxa mundial de crescimento por ano varia entre 3% e 4%. Segundo Alex Santos Lopes da Silva, analista de mercado da Scot Consultoria, se este ritmo se mantiver por mais cinco anos, além de o Brasil ser o primeiro no ranking mundial de carne in natura, também pode liderar o de boi vivo. O Brasil ocupa hoje o quarto lugar, depois do líder Canadá, seguido do México e da Austrália.
O Pará é o maior estado produtor, seguido pelo Rio Grande do Sul. Juntas, as duas regiões respondem por 98% das negociações do setor no mercado externo. "Começamos em 2003 exportando duas mil cabeças, hoje são 518 mil", diz Silva.
De acordo com números da Scot, no ano passado, o faturamento do setor no Brasil foi de US$ 419,5 milhões ante os US$ 740,2 mil de 2003.
A estimativa positiva da USDA, segundo Silva, se deve a sinalização da Venezuela: somente em janeiro, os venezuelanos adquiriram 35% a mais do que no mesmo período em 2009. O analista afirma ainda que mesmo com a desvalorização do dólar, o que encarece o produto brasileiro no mercado externo, as exportações de bois vivos em janeiro, se comparado ao mesmo período de 2009, recuou 1%, enquanto o faturamento cresceu 18%.
O Líbano - que prefere fazer o abate religioso em seu território, o halal, de acordo com os rituais islâmicos - importa do Brasil desde 2003. No entanto, de acordo com levantamento da Scot, a Venezuela, que começou a negociar com o País apenas em 2007, importou em três anos 139, 5 mil cabeças a mais do que os libaneses. "A política de tabelamento do preço interno na Venezuela, em 2007, desestimulou a produção local, acarretando em aumento de importação", diz Silva.
De acordo com o analista, o estudo da USDA aponta que os números de exportação do Canadá devem se manter estáveis em 2010, em torno de 1,2 milhão de cabeças. Já o México pode avançar este ano além da taxa mundial de crescimento (8%). Em 2009, os mexicanos exportaram 925 mil cabeças. A Austrália também se estabilizará na casa dos 910 mil animais vivos vendidos.
Para Ricardo Merola, pecuarista e presidente da Associação Nacional de Confinadores (Assocon), o crescimento das exportações de boi em pé está beneficiando os produtores do norte, Pará e Tocantins que vendiam gado abaixo do preço de mercado. "Vem em boa hora. O excesso de oferta permitia que os frigoríficos pagassem pouco", comenta.
Até o ano retrasado, ainda segundo o pecuarista, o Brasil comercializava apenas boi gordo, de aproximadamente 450 quilos. Hoje, a tendência é ganhar mercado externo com o gado de 300 quilos (ou 10 arrobas).
"O Oriente e a América Central tiveram problemas com rebanho e para repor estoque devem comprar gado magro." De acordo com o analista, Tocantins começou a exportar em 2009.
Silva disse que o Pará tem a vantagem também de contar com condições geográficas favoráveis que facilitam a comercialização, além de um custo de produção menor.
Segundo o analista, as chances de o Brasil ampliar ainda mais o leque de países compradores e seguir rumo ao topo do ranking mundial também depende da não sobrevalorização do real. "Uma cotação ideal seria o dólar entre R$ 1,90 e R$ 1,95", estima.
Para Merola e Silva, o avanço das exportações de animais vivos não compromete o setor de carne in natura. "O vivo responde por 1% do montante abatido", afirma o analista.
De acordo com o pecuarista, o crescimento de mercado externo para o País vai ocorrer até que os preços estejam equilibrados, ou seja, se um subir o outro tende a cair . "A disputa seria semelhante a do álcool com a gasolina em relação aos carros bicombustíveis", compara Merola.
Em 2009, o Brasil também exportou para o Egito um total de 8.208 cabeças, e para Angola, em 2008 e no ano passado, 120 bois em pé. Em anos anteriores, o Uruguai, em 2003, o Paraguai, em 2004 e 2005, e a Bolívia, em 2007 e 2008 também importaram do País um total de 1.701 bois em pé.
O Pará é o maior estado produtor, seguido pelo Rio Grande do Sul. Juntas, as duas regiões respondem por 98% das negociações do setor no mercado externo. "Começamos em 2003 exportando duas mil cabeças, hoje são 518 mil", diz Silva.
De acordo com números da Scot, no ano passado, o faturamento do setor no Brasil foi de US$ 419,5 milhões ante os US$ 740,2 mil de 2003.
A estimativa positiva da USDA, segundo Silva, se deve a sinalização da Venezuela: somente em janeiro, os venezuelanos adquiriram 35% a mais do que no mesmo período em 2009. O analista afirma ainda que mesmo com a desvalorização do dólar, o que encarece o produto brasileiro no mercado externo, as exportações de bois vivos em janeiro, se comparado ao mesmo período de 2009, recuou 1%, enquanto o faturamento cresceu 18%.
O Líbano - que prefere fazer o abate religioso em seu território, o halal, de acordo com os rituais islâmicos - importa do Brasil desde 2003. No entanto, de acordo com levantamento da Scot, a Venezuela, que começou a negociar com o País apenas em 2007, importou em três anos 139, 5 mil cabeças a mais do que os libaneses. "A política de tabelamento do preço interno na Venezuela, em 2007, desestimulou a produção local, acarretando em aumento de importação", diz Silva.
De acordo com o analista, o estudo da USDA aponta que os números de exportação do Canadá devem se manter estáveis em 2010, em torno de 1,2 milhão de cabeças. Já o México pode avançar este ano além da taxa mundial de crescimento (8%). Em 2009, os mexicanos exportaram 925 mil cabeças. A Austrália também se estabilizará na casa dos 910 mil animais vivos vendidos.
Para Ricardo Merola, pecuarista e presidente da Associação Nacional de Confinadores (Assocon), o crescimento das exportações de boi em pé está beneficiando os produtores do norte, Pará e Tocantins que vendiam gado abaixo do preço de mercado. "Vem em boa hora. O excesso de oferta permitia que os frigoríficos pagassem pouco", comenta.
Até o ano retrasado, ainda segundo o pecuarista, o Brasil comercializava apenas boi gordo, de aproximadamente 450 quilos. Hoje, a tendência é ganhar mercado externo com o gado de 300 quilos (ou 10 arrobas).
"O Oriente e a América Central tiveram problemas com rebanho e para repor estoque devem comprar gado magro." De acordo com o analista, Tocantins começou a exportar em 2009.
Silva disse que o Pará tem a vantagem também de contar com condições geográficas favoráveis que facilitam a comercialização, além de um custo de produção menor.
Segundo o analista, as chances de o Brasil ampliar ainda mais o leque de países compradores e seguir rumo ao topo do ranking mundial também depende da não sobrevalorização do real. "Uma cotação ideal seria o dólar entre R$ 1,90 e R$ 1,95", estima.
Para Merola e Silva, o avanço das exportações de animais vivos não compromete o setor de carne in natura. "O vivo responde por 1% do montante abatido", afirma o analista.
De acordo com o pecuarista, o crescimento de mercado externo para o País vai ocorrer até que os preços estejam equilibrados, ou seja, se um subir o outro tende a cair . "A disputa seria semelhante a do álcool com a gasolina em relação aos carros bicombustíveis", compara Merola.
Em 2009, o Brasil também exportou para o Egito um total de 8.208 cabeças, e para Angola, em 2008 e no ano passado, 120 bois em pé. Em anos anteriores, o Uruguai, em 2003, o Paraguai, em 2004 e 2005, e a Bolívia, em 2007 e 2008 também importaram do País um total de 1.701 bois em pé.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Crise bovina: BNDES aposta R$ 7,5 bi no Friboi e concorrentes reclamam
Há duas semanas, o frigorífico brasileiro JBS Friboi, maior empresa de carnes do mundo, colocou à venda um pacote de dois milhões de debêntures no valor de R$ 3,48 bilhões. Sem o aparente interesse do mercado financeiro, a BNDESPar, empresa de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, comprou 99,9% dos papéis. Os outros acionistas, entre eles a família Batista, dona de 59% do grupo JBS, adquiriram 0,05% da emissão e ainda restou uma sobrinha de 523 papéis que ninguém se interessou em comprar.
A operação foi feita para viabilizar o pagamento da última aquisição da companhia nos Estados Unidos: a Pilgrim"s Pride Corporation, destaque no mercado americano de frangos, que enfrentava dificuldades financeiras. A entrada no mercado americano foi o passo mais ousado de uma trajetória internacional iniciada em 2005, com a compra da Swift argentina, e que contou o tempo todo com o apoio do BNDES.
Ávido por viabilizar multinacionais brasileiras, tarefa que ganhou da política industrial traçada no governo Lula, o BNDES já colocou pelo menos R$ 7,5 bilhões no Friboi - de quem também é acionista, com uma participação de 22,36%. O apoio ao frigorífico supera outras operações emblemáticas, como os R$ 2,6 bilhões para o casamento Oi/Brasil Telecom.
Dono de um faturamento na casa dos R$ 30 bilhões, o Friboi tira hoje quase 80% de sua receita de operações nos Estados Unidos, Austrália, Itália e Argentina. Em apenas dois anos, multiplicou a receita líquida por dez. O BNDES vê nesse desempenho um exemplo do arrojo empresarial que gostaria de ver em outros setores diante das oportunidades potencializadas pela crise de compras de empresas no exterior por grupos brasileiros.
A aparente predileção do BNDES pelo Friboi levou o presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar, a endereçar uma carta ao presidente do banco, Luciano Coutinho. Ele diz reconhecer os méritos do Friboi - que também incorporou o segundo maior frigorífico nacional, o Bertin, em 2009, com a bênção do BNDES -, mas critica a intervenção do banco.
"O grande pecado do BNDES é o excesso. O País tem outras prioridades, por que jogar tanto dinheiro numa só empresa? Não há somente ela no mercado", reclama Salazar. Segundo ele, a concentração está impondo a rendição dos pequenos e médios frigoríficos à incorporação do Friboi e limitando as opções de venda dos criadores. "O BNDES pôs um volume colossal de dinheiro para criar uma multinacional sem diagnosticar bem a cadeia produtiva. E criou uma empresa assim, que pode fazer o preço do boi e da carne. Impossível competir."
Entre especialistas, a trajetória acelerada do Friboi também é vista com reservas. Analistas ouvidos pelo Estado afirmam que o compromisso do BNDES com a subscrição total das debêntures da última operação pode ter viabilizado um prêmio menor do que atrairia o mercado, amenizando o impacto no endividamento da empresa. Os títulos comprados pelo BNDES deverão se converter em 20% a 25% de ações da JBS USA, subsidiária americana do grupo em preparação para a abertura de capital.
Há reservas no mercado sobre o endividamento da empresa e sua alta exposição nos Estados Unidos, ainda às voltas com a crise. Além disso, há dúvidas sobre a capacidade da família Batista de administrar tantos e tão diversificados ativos acumulados em pouco tempo.
"A internacionalização foi muito rápida e a empresa está muito alavancada. A gestão dos novos negócios ainda vai ser testada. É um desafio para o JBS colocar essas atividades internacionais em ordem, melhores do que antes da aquisição", opina Eduardo Roche, da Modal Asset. "A ótica do BNDES é mais a de apoio à multinacional. Sem o BNDES, com certeza não teriam esse fôlego e ainda teriam se complicado muito."
Para outro analista, o fato de o Friboi ter comprado empresas já em dificuldades financeiras em mercados afetados pela crise num setor de margem baixa também afasta os investidores. "Ainda há muita interferência da família", critica.
Os dois preferem os papéis do rival Marfrig, que apontam como mais sólido. O frigorífico, que fez aquisições recentes na Argentina e no Brasil, e outras empresas do setor também receberam apoio do BNDES por meio de capitalização, mas em proporção bem menor.
A área de mercado de capitais do BNDES recusa entrevistas sobre o Friboi, mas o diretor de Planejamento, João Carlos Ferraz, aceitou definir para o Estado o que atrai tanto o banco na empresa. Ao contrário dos estereótipos que a origem do grupo goiano alimenta, para Ferraz os irmãos José Jr., Wesley e Joesley Batista, o presidente do grupo, dirigem hoje uma empresa "extremamente sofisticada", cujo apetite casou com a expectativa do BNDES de formar empresas brasileiras de peso global, seja em que setor for.
"Eles têm um gás, uma disposição de crescimento impressionante. Conhecem o negócio profundamente. Soube que a mesa de operações dele é maior que a de um banco médio. Fecham posição de compra e venda em grandes volumes em alta velocidade e sabem, online, o que está acontecendo em cada unidade", conta. "Têm enorme propensão ao crescimento e se montam para isso. E nas operações de aquisição, parecem ter um respeito muito grande pelas idiossincrasias locais, mantendo os dirigentes das adquiridas para aprender com eles."
Ferraz refuta a crítica de que o banco usa dinheiro público para subsidiar empresas como o Friboi, lembrando que o BNDES usa mecanismos de mercado, como participações acionárias e debêntures, para incentivar aquisições. É também um investimento para o banco, que não entraria num negócio para perder, segundo ele.
A mesma lógica vale para os grandes conglomerados que o banco tenta promover. Por isso, embora reconheça ser mais desejável múltis de produtos de maior valor agregado, o diretor do BNDES diz que o País ganha ao começar esse processo pelos setores onde é mais competitivo, como o de carnes. Para ele, a modernização do Friboi profissionaliza os fornecedores no Brasil, onde permanecem o centro de decisão da empresa e os empregos mais qualificados.
"Claro que produzir carne não é a mesma coisa que avião. Mas, se olharmos a trajetória do JBS, principalmente com a diversificação dessa última aquisição, vemos que estão indo pela cadeia da proteína, agregando por unidade de produto. Há um movimento de sofisticação, dentro da indústria deles", argumenta Ferraz. "Não dá para colocar o Joesley para produzir chips."
Nenhum dirigente do Friboi aceitou conversar sobre o assunto, mas, em nota enviada por sua assessoria, Jerry O" Callaghan, diretor de Relações com Investidores, reconheceu que o BNDES é fundamental para a experiência internacional do grupo. "Sozinho, não teria sido possível (para o JBS). O apoio consistente do BNDES era fundamental para fazer a empresa chegar a ser hoje a maior companhia produtora de proteína do mundo e um orgulho para o País."
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