Um blog para falar sobre o mercado da carne bovina,suina ,aves e seus cortes no Rio de Janeiro, tentando passar as melhores informações possiveis, do que realmente á falado na Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio de Janeiro, com linguagem simples assim como o clipping de informações importantes de toda a cadeia produtiva.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Mercado
A pedida de alcatra hoje R$ 11,20 kg e de contra R$ 11,50 , embora ainda teha oferta de alcatra a R$ 11,00 no prazo no mercado. Quanto ao boi inteiro com osso, a pedida inicial no traseiro R$ 7,00 kg , dianteiro R$ 5,00 kg e pa a R$ 4,80 kg . Devido a pouca oferta de boi para abate por diversos motivos e incio de mes esses preços devem se sustentar.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
MT: greve na justiça deve adiar acordos com o Frialto
O Grupo Frialto protocolou no dia 29 de julho na 2ª Vara da Comarca de Sinop (MT) seu Plano de Recuperação Judicial (PRJ) e se o prazo fosse cumprido, os credores teriam 30 dias para analisar e fazer objeções às propostas apresentadas, que deveriam ser entregues por escrito e protocoladas na Comarca de Sinop, até o próximo dia 30 de agosto. Depois disso, o juiz teria mais 150 dias para marcar a Assembleia Geral de Credores, que deveria acontecer até o final de 2010. Mas a greve da Justiça mato grossense irá forçar o adiamento desses prazos e atrasar possíveis acordos com credores.
"Todo esse tramite processual está sem nenhum efeito jurídico, pois a Justiça Estadual de Mato Grosso está parada há mais de três meses, sem previsão de volta", analisa o assessor jurídico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Armando Biancardini Candia. Para ele, mesmo que os servidores do judiciário retornem ao trabalho, fica difícil fazer uma previsão de convocação de Assembleia Geral dos Credores para este ano. "Assim que a justiça voltar a funcionar o tramite começa do zero e todos os prazos começam a ser contados a partir daquele momento. São necessários no mínimo 180 dias para o juiz analisar e definir datas processuais. Tudo indica que só em 2011 será possível resolver a questão do Processo de Recuperação Judicial do Frialto".
A dívida do Frialto composto pelas sociedades Vale Grande Indústria e Comércio de Alimentos S.A., Agropecuária Ponto Alto LTDA. e Urupuá Indústria e Comércio de Alimentos LTDA é de R$ 564 milhões, sendo R$ 453 milhões com instituições financeiras, R$ 97 milhões com os pecuaristas, R$ 6 milhões trabalhista e R$ 8 milhões de frete.
O Frialto apresenta dois cenários para o pagamento dos fornecedores estratégicos, onde estão os pecuaristas.
Na primeira hipótese a empresa retoma suas atividades sem novos financiamentos. Neste cenário a proposta é de que após a homologação do Plano na Assembleia Geral dos Credores cada Credor Estratégico cujo crédito não seja superior a R$ 25.000,00 será pago integralmente 5 dias depois; aos demais credores, 10% do saldo devedor a cada credor 35 dias depois; 50% do saldo devedor seriam pagos em 11 parcelas mensais; e o saldo restante (40%) pago em 12 parcelas mensais, somando 2 anos para quitar o débito.
Na segunda hipótese, o frigorifico prevê a continuidade das operações com financiamentos no valor de R$ 50.000.000,00. Nesse caso, após a homologação do Plano na AGC, cada Credor Estratégico cujo crédito não seja superior a R$ 25.000,00 será pago integralmente5 dias depois; aos demais credores pagamento de 10% do saldo devedor 35 dias após o pagamento previsto aos que receberam integralmente; 10 dias após o desembolso do valor do financiamento, pagamento de 50% do saldo devedor; e o saldo restante pago em 11 parcelas mensais.
As informações são da Acrimat, resumidas e adaptadas pela Equipe BeefPoint.
JBS: concentração não prejudica produtor
O presidente da JBS, Joesley Batista, disse, na sexta-feira, que a concentração do setor de frigoríficos de carne bovina no Brasil não prejudica o produtor de gado. Pelo contrário. A uma plateia de estudantes, representantes do agronegócio e consultores, em seminário do Pensa, na Universidade de São Paulo (USP), Batista afirmou que a concentração permite que as empresas do setor cresçam, o que vai "beneficiar o produtor".
De acordo com o presidente da JBS, "quanto mais o setor se concentrou no Brasil, mais o preço do boi subiu". Ele disse que há alguns anos, a arroba do boi gordo estava na casa dos US$ 20 no Brasil. Atualmente, já supera os US$ 50.
Essa mudança de patamar é, segundo ele, um reflexo da internacionalização e da concentração no setor de frigoríficos. "Antes, quando havia um monte de pequenos [frigoríficos] se debatendo, só se vendia barato ao exterior. Isso mudou". No novo cenário, disse, é possível vender carne com preços mais altos ao exterior e, assim, pagar mais pelo boi ao pecuarista.
Após a aquisição de várias empresas no exterior, a JBS detém hoje 30% do comércio internacional de carne bovina e 50% das exportações brasileiras do segmento, segundo Batista.
Conforme o empresário, "a internacionalização mais do que dobrou o preço do boi". Em sua opinião, "não é só o câmbio" que explica a elevação dos preços da arroba em dólar. "O câmbio é só um dos fatores", argumentou.
Rui Prado, presidente da Federação de Agricultura de Mato Grosso (Famato), que esteve no seminário, afirmou que a concentração preocupa os criadores do Estado, onde apenas duas empresas - JBS e Marfrig - têm 60% do abate.
Outra questão do encontro, em que Joesley Batista falou sobre a gestão da JBS, foi o desafio de digerir todas as aquisições feitas pela companhia e implantar a cultura da empresa nesses locais. O caso da Inalca JBS, na qual a brasileira vive uma disputa judicial com o sócio, foi mencionado. "Na Itália, temos que ter pessoas tão competentes quanto eu ou mais", disse. A JBS entrou na Câmara de Comércio Internacional de Paris contra o grupo Cremonini, pedindo a arbitragem sobre questões de governança. Batista não comentou o processo.
Argentina
A JBS S.A admitiu, em nota ontem, que pode vender "algumas unidades de produção" na Argentina por conta da atual escassez de bois para abate e da restrição às exportações de carne bovina pelo país. No sábado, a agência Reuters noticiou que a maior processadora global de carne bovina poderia vender três plantas de abate de gado na Argentina. A informação foi dada à Reuters por uma fonte que pediu anonimato.
Segundo essa fonte, a informação de que a JBS poderia se desfazer de unidades na Argentina foi dada pelo secretário de Comércio Interior argentino, Guillermo Moreno, durante uma reunião que teve na última sexta-feira com diretores dos principais frigoríficos de carne bovina do país.
Na nota divulgada ontem, após ser procurada no Brasil, a JBS disse que "devido à atual situação na Argentina (escassez da disponibilidade de gado e restrição das exportações), a companhia estuda reduzir a produção nesse país, ou até, a possível venda de algumas unidades de produção desde que o valor negociado reflita o preço real do ativo".
Segundo a Reuters, atualmente, as instalações da JBS na Argentina que poderiam ser vendidas, situadas em Pontevedra, Berazategui e San José, estão trabalhando de forma parcial, por conta da redução da oferta de bovinos para abate. Esse quadro de falta de animais provocou uma alta no preço da carne bovina e fez o governo limitar as exportações do produto.
Diversos frigoríficos atravessam dificuldades pelo recuo nas atividades e travam uma queda-de-braço com o governo argentino. Os produtores rurais responsabilizam as intervenções oficiais no mercado da carne bovina pela queda do rebanho. As prolongadas secas que o país viveu nos últimos anos também foram muito prejudiciais ao setor, observa a Reuters.
A matéria é de Alda do Amaral Rocha, publicada no Valor Econômico, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.
De acordo com o presidente da JBS, "quanto mais o setor se concentrou no Brasil, mais o preço do boi subiu". Ele disse que há alguns anos, a arroba do boi gordo estava na casa dos US$ 20 no Brasil. Atualmente, já supera os US$ 50.
Essa mudança de patamar é, segundo ele, um reflexo da internacionalização e da concentração no setor de frigoríficos. "Antes, quando havia um monte de pequenos [frigoríficos] se debatendo, só se vendia barato ao exterior. Isso mudou". No novo cenário, disse, é possível vender carne com preços mais altos ao exterior e, assim, pagar mais pelo boi ao pecuarista.
Após a aquisição de várias empresas no exterior, a JBS detém hoje 30% do comércio internacional de carne bovina e 50% das exportações brasileiras do segmento, segundo Batista.
Conforme o empresário, "a internacionalização mais do que dobrou o preço do boi". Em sua opinião, "não é só o câmbio" que explica a elevação dos preços da arroba em dólar. "O câmbio é só um dos fatores", argumentou.
Rui Prado, presidente da Federação de Agricultura de Mato Grosso (Famato), que esteve no seminário, afirmou que a concentração preocupa os criadores do Estado, onde apenas duas empresas - JBS e Marfrig - têm 60% do abate.
Outra questão do encontro, em que Joesley Batista falou sobre a gestão da JBS, foi o desafio de digerir todas as aquisições feitas pela companhia e implantar a cultura da empresa nesses locais. O caso da Inalca JBS, na qual a brasileira vive uma disputa judicial com o sócio, foi mencionado. "Na Itália, temos que ter pessoas tão competentes quanto eu ou mais", disse. A JBS entrou na Câmara de Comércio Internacional de Paris contra o grupo Cremonini, pedindo a arbitragem sobre questões de governança. Batista não comentou o processo.
Argentina
A JBS S.A admitiu, em nota ontem, que pode vender "algumas unidades de produção" na Argentina por conta da atual escassez de bois para abate e da restrição às exportações de carne bovina pelo país. No sábado, a agência Reuters noticiou que a maior processadora global de carne bovina poderia vender três plantas de abate de gado na Argentina. A informação foi dada à Reuters por uma fonte que pediu anonimato.
Segundo essa fonte, a informação de que a JBS poderia se desfazer de unidades na Argentina foi dada pelo secretário de Comércio Interior argentino, Guillermo Moreno, durante uma reunião que teve na última sexta-feira com diretores dos principais frigoríficos de carne bovina do país.
Na nota divulgada ontem, após ser procurada no Brasil, a JBS disse que "devido à atual situação na Argentina (escassez da disponibilidade de gado e restrição das exportações), a companhia estuda reduzir a produção nesse país, ou até, a possível venda de algumas unidades de produção desde que o valor negociado reflita o preço real do ativo".
Segundo a Reuters, atualmente, as instalações da JBS na Argentina que poderiam ser vendidas, situadas em Pontevedra, Berazategui e San José, estão trabalhando de forma parcial, por conta da redução da oferta de bovinos para abate. Esse quadro de falta de animais provocou uma alta no preço da carne bovina e fez o governo limitar as exportações do produto.
Diversos frigoríficos atravessam dificuldades pelo recuo nas atividades e travam uma queda-de-braço com o governo argentino. Os produtores rurais responsabilizam as intervenções oficiais no mercado da carne bovina pela queda do rebanho. As prolongadas secas que o país viveu nos últimos anos também foram muito prejudiciais ao setor, observa a Reuters.
A matéria é de Alda do Amaral Rocha, publicada no Valor Econômico, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.
www.beefpoint.com.br
JBS estuda redução de produção ou venda de unidades na Agentina
Medida reflete atual situação naquele país de "escassez da disponibilidade de gado e restrição das exportações", como cita comunicado do frigorífico brasileiro
Agência Estado
SÃO PAULO - A JBS Friboi enviou ontem à noite um comunicado ao mercado sobre eventuais mudanças para a operação na Argentina, diante da atual situação naquele país de "escassez da disponibilidade de gado e restrição das exportações", como cita o comunicado. O frigorífico brasileiro estuda reduzir a produção na Argentina ou até vender algumas unidades, "desde que o valor negociado reflita o preço real do ativo", ressalta o diretor de Relações com Investidores, Jeremiah O’Callaghan, na nota.
Por enquanto, não há um anúncio específico, mas a empresa afirma que "manterá o mercado informado sobre qualquer fato relevante".
Na sexta-feira, uma fonte da JBS/Swift ouvida pela sucursal argentina da Agência Estado disse que estava, assim como os demais frigoríficos, com unidades paradas por falta de animais. A Sociedade Rural Argentina (SRA) calcula que as restrições às exportações de carne bovina e a retração da oferta de gado já tenham provocado o fechamento de 20 frigoríficos no país e outros 12 enfrentam situação crítica. A capacidade ociosa da indústria é de 40% atualmente. Nos últimos três anos o estoque de gado foi reduzido em 12 milhões de cabeças e a produção de carne caiu à metade. Na imprensa local, as notícias na semana passada davam conta de que das seis unidades do JBS/Swift, apenas duas estavam operando.
Mercado
No fim da semana passada foram negociados contra file no prazo a R$ 11,50 kg e alcatra a R$ 10,80 kg . Quanto ao boi inteiro, os preços foram traseiro R$ 6,80 kg , dianteiro R$ 4,90 kg e ponta a R$ 4,80 kg
Queda na oferta eleva preços e impulsiona ganhos de produtores
Após sofrer em 2009 com os efeitos da crise internacional, registrando grandes perdas de receita e volume exportado, a carne brasileira está novamente gerando lucros para indústrias e produtores. Com os preços pagos mais elevados devido à falta de oferta no mercado global, o setor vem recuperando as perdas do ano passado, e já cria expectativas otimistas para o futuro.
De um modo geral, a carne brasileira não tem conseguido obter volumes de exportação muito elevados em comparação com 2009. No primeiro semestre de 2010, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), as vendas elevaram-se apenas 4%, passando de 723.386 toneladas nos primeiros seis meses de 2009 para 755.910 toneladas em igual intervalo deste ano. Em março e abril chegou a haver queda em relação aos mesmos meses do ano passado (-1% em março e -8% em abril).
No entanto, se a expansão da quantidade de carne exportada ainda está lenta, os valores obtidos com as vendas externas estão muito superiores. As exportações totais de carne bovina brasileira no primeiro semestre alcançaram US$ 2,822 bilhões contra os US$ 2,280 bilhões do mesmo período de 2009, um crescimento de 24%. Com isso, o preço médio pago à indústria nacional passou de US$ 3.153,00 por tonelada para US$ 3.734,00 por tonelada nesse intervalo de tempo.
A expansão da receita obtida com o produto deve-se principalmente ao aumento dos preços internacionais. "Mesmo com o câmbio valorizando nossa moeda, o que prejudica a competitividade do produto brasileiro, a falta de oferta no mercado internacional vem contribuindo para manter os valores pagos num nível interessante", afirma José Vicente Ferraz, diretor da consultoria AgraFNP.
Segundo a Abiec, embora o ritmo de exportações neste ano, se comparado com o de 2009, esteja acelerado, ele ainda apresenta lentidão para recuperar os números de 2008, quando o Brasil exportou 2,5 milhões de toneladas e obteve uma receita cambial de US$ 5,3 bilhões. A expectativa da entidade para 2010 é de que o crescimento da receita fique em torno de 20% em relação ao ano passado. Em 2009, foram registrados US$ 4,118 bilhões em vendas externas, com um volume de 1,245 milhão de
toneladas.
toneladas.
Os resultados positivos registrados em 2010 já estão tendo reflexos também nos ganhos dos produtores. "O preço do boi no Brasil também se elevou, então hoje os frigoríficos pagam mais e vendem por um preço maior, e como em muitos países somos o principal fornecedor estamos conseguindo fazer repasse dos custos", explica Péricles Salazar, presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).
Consumo brasileiro também está em alta
A elevação dos preços da carne acontece em outro momento positivo do setor, quando o número de animais do rebanho nacional está se recuperando da queda provocada entre 2004 e 2007 pelo abate de matrizes, situação gerada pelas condições climáticas adversas e ganhos reduzidos dos produtores. Com mais oferta, os frigoríficos estão conseguindo suprir a demanda crescente, não só do mercado internacional, mas do consumo brasileiro. "O mercado interno está muito positivo, pois com os aumentos dos salários e da renda a população está consumindo mais carne", diz Gustavo Aguiar, analista da Scot Consultoria.
No Rio Grande do Sul, a recuperação do rebanho tem levado a indústria a aumentar os abates, que deverão crescer 20% em 2010. Segundo Ronei Lauxen, presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado (Sicadergs), o Estado está recorrendo menos à carne de outras regiões do Brasil para garantir seu abastecimento. "Em 2009, 30% do produto consumido aqui vinha de outras regiões, agora esse índice caiu para 15%", afirma.
Para a indústria nacional, as perspectivas do mercado interno para o futuro são excelentes, mas é necessário expandir a produção. Atualmente, segundo Péricles Salazar, o consumo brasileiro de carne bovina é de 37 quilos per capita por ano. "Se aumentar em um quilo esse índice vai faltar boi para atender aos consumidores", aponta Lauxen.
Vendas de frango registram incremento em volume e receita
O volume de exportações brasileiras de frango chegou a 2,165 milhões de toneladas nos sete primeiros meses de 2010, número 2% superior ao volume registrado no mesmo período do ano passado (2,124 milhões de toneladas) pela União Brasileira de Avicultura (Ubabef). Já a receita obtida com as vendas externas cresceu ainda mais, chegando a US$ 3,756 bilhões entre janeiro e julho, valor 16,6% maior que no mesmo intervalo de 2009.
O resultado deve-se, sobretudo, à recuperação dos preços internacionais. Atualmente, o preço médio da carne de frango no mercado mundial varia em torno de US$ 1,70. Embora ainda esteja abaixo dos US$ 2,10 alcançados em 2008, ele já representa uma melhoria em relação ao US$ 1,40 registrado durante o período mais forte da crise econômica.
O resultado deve-se, sobretudo, à recuperação dos preços internacionais. Atualmente, o preço médio da carne de frango no mercado mundial varia em torno de US$ 1,70. Embora ainda esteja abaixo dos US$ 2,10 alcançados em 2008, ele já representa uma melhoria em relação ao US$ 1,40 registrado durante o período mais forte da crise econômica.
Segundo o presidente da Ubabef, Francisco Turra, as vendas do setor avícola brasileiro no exterior estão sendo retomadas de forma lenta e gradual. Já no mercado interno, a expectativa é de um crescimento moderado das vendas, que hoje giram em torno de 7,5 milhões de toneladas por ano. O consumo interno já apresenta patamares elevados em comparação com outros países. "A média mundial é de 13 quilos per capita ao ano e aqui chegamos a 41 quilos", compara.
Crise europeia afeta exportações suínas
Os efeitos da crise ao redor do mundo ainda se fazem sentir na cadeia da carne suína brasileira. As dificuldades econômicas enfrentadas por vários países europeus e a desvalorização do euro fizeram com que o produto da região ficasse mais barato para os russos, principais compradores do Brasil. A valorização do real também contribui para diminuir a competitividade.
A situação é refletida nos resultados das exportações dos sete primeiros meses de 2010, que apresentaram queda em volume, mas aumento em receita. "Isso mostra que o mercado externo pode oscilar bastante. Em outubro do ano passado, a notícia que divulgamos era exatamente o oposto: os volumes aumentavam e os preços caíam", lembra Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs).
No acumulado deste ano, as vendas externas de carne suína caíram 8,5%, passando de 342.587 toneladas de janeiro a julho de 2009, a 313.468 toneladas nos sete primeiros meses de 2010. Já em receita, o aumento das exportações foi de 7,68% em julho deste ano e de 12,57% de janeiro a julho, atingindo US$ 769,52 milhões. Grande parte desse aumento deve-se à elevação de 23% do preço médio da carne suína nos sete primeiros meses deste ano no mercado externo. A tonelada do produto chegou a US$ 2.455,00 (R$ 4.301,00) no período, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).
No mercado interno, o setor está indo bem, apesar da queda em volume nas vendas externas. "Os negócios estão aquecidos e a demanda faz com que não haja estoques acima do usual", afirma Camargo Neto. De acordo com o presidente da Abipecs, o setor tem observado um aumento no consumo de carne suína, que vem sendo mais oferecida em restaurantes, além de ser mais procurada em supermercados, em função de preços competitivos em relação a carnes concorrentes e de um maior conhecimento do brasileiro sobre as qualidades do produto.
Em 2009, o consumo de carne suína no Brasil foi de 2.583 mil toneladas, um crescimento de 3,5% em relação a 2008 (2.497 mil toneladas). Para 2010, o consumo interno está estimado em 2.653 mil toneladas, um crescimento de 2,7% sobre 2009. Para atender a essa demanda, a Abipecs acredita que a produção brasileira deve crescer moderadamente, entre 1,5% e 2%. (MB)
Missão dos EUA chega amanhã ao País para inspecionar frigoríficos
A situação já preocupa os empresários de áreas afins e foi usada por uma organização não-governamental (ONG) norte-americana, a Food and Water Watch, como mote para retirar o Brasil da lista dos países com aprovação automática de exportação de produtos de carne. Mais do que isso, a ONG aproveitou o embalo para pedir que o departamento de agricultura (USDA) não considere mais Santa Catarina como estado livre de febre aftosa sem vacinação, status que recebeu em 2007 da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).
A alegação foi a de que poderia haver uma eventual expansão das importações brasileiras de carne fresca depois do problema com a carne enlatada. "Esse episódio prejudicou a credibilidade do Brasil e poderemos ter problemas na aprovação das fábricas de suínos pelos americanos", disse Pedro Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs).
Atualmente, o Brasil não vende o produto para os Estados Unidos, mas a expectativa é a de que, a partir do próximo mês, o país abra seu mercado para a carne suína nacional. Para isso, norte-americanos irão até o sul, onde se concentra a maior produção, para inspecionar as indústrias do setor.
Camargo Neto explicou que, em termos de volume, não se aguarda uma grande venda para os EUA, que são grandes produtores. O interesse nesse novo mercado é o de deixar uma porta aberta para futuras comercializações. Os produtos que devem ter mais saída nos EUA são, de acordo com o presidente da Abipecs, costela e bacon, por conta dos preços competitivos dos produtos brasileiros.
Francisco Jardim, secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, assegurou que os exames realizados em novas peças de carne brasileira já foram feitos e apresentaram um padrão condizente com as exigências americanas. Ele evitou, no entanto, dar mais detalhes sobre o tema, alegando que o material será entregue à missão americana, composta por cinco agentes, quando chegarem ao Brasil.
Carne: EUA querem "morder"
nossas vendas
Brasília - As exportações de carne do Brasil estão sob novo ataque protecionista nos Estados Unidos. O alegação agora é o excesso do vermífugo ivermectina contido na carne bovina enlatada exportada para aquele país, em 14 de maio.
Por decisão do governo brasileiro, as vendas foram suspensas, mas os EUA aproveitou para exigir a comprovação de que os níveis do produto estão dentro dos padrões do país. Nesta terça-feira, representantes norte-americanos virão ao Brasil, para constatar de perto se houve avanços.
A situação preocupa os empresários de áreas afins e foi usada por uma ONG norte-americana, a Food and Water Watch, como mote para retirar o Brasil da lista dos países com aprovação automática de exportação de produtos de carne.
Cotação da arroba do boi já ultrapassa o patamar pré-crise
SÃO PAULO - As cotações da arroba do boi gordo já retomaram os patamares pré-crise. Para o mercado, a tendência continua altista. Em São Paulo, as negociações de bovino à vista, de acordo com índices do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), na semana passada, chegaram a R$ 92,30. Em julho de 2008, segundo levantamento da Scot Consultoria, a arroba atingiu o pico de R$ 91. Em agosto do mesmo ano, a arroba valia R$ 90,16. "Mesmo com os animais confinados os preços não devem recuar", afirma Alex Santos Lopes da Silva, analista da Scot.
Segundo Silva, a escassez de oferta de animal terminado para abate também tem sustentado os preços da carne no varejo. "Na última semana, a valorização média da carne bovina, em São Paulo, foi de 3%", diz, reiterando que houve alta nos preços da carne por quatro semanas consecutivas. Em um mês, o contrafilé e a fraldinha valorizaram 15%.
Para Silva, a partir de setembro e de outubro, quando deve entrar no mercado o boi de confinamento, ainda é possível que ocorra uma ligeira valorização da arroba ou, no máximo, estabilidade nos preços. "As ofertas estão curtas, houve queda no número de animais confinados. Não me espantaria se houvesse alta mesmo com os bois confinados", diz.
De acordo com Luciano Vacari, superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), com a oferta, mesmo que restrita, de animais confinados, os frigoríficos terão algum fôlego para operar escalas. "Mas não vejo recuo nos preços. A arroba a R$ 80 é coisa do passado", diz, lembrando que as entregas de bois confinados já estão ocorrendo. "Em setembro e outubro vão apenas atingir seu máximo."
Estudo da Acrimat aponta para 2010 um volume de 450 mil bovinos confinados em Mato Grosso. Para o superintendente, embora sem quantificar, um volume considerável desses bovinos já foi abatido. "O que vai balizar as cotações será a manutenção do montante exportado. Vamos suprir a demanda do mercado externo e interno", afirma.
Segundo Vacari, isso será possível devido ao aumento na produtividade. "Estamos matando boi mais cedo graças à tecnologia e estratégia nutricional", explica.
De acordo com o superintendente, em 2007, em Mato Grosso, foram abatidos cinco milhões de cabeças de gado, com um rebanho menor do que possui hoje.
Para Vacari, além da recuperação nos preços da arroba, o setor no Brasil também já recuperou os índices de embarques antes da crise econômica mundial, em 2008. Segundo Vacari, a Argentina, Uruguai, Austrália, Estados Unidos e Nova Zelândia estão com problemas para atender a demanda por carne. "Com isso, já recuperamos mercados."
Outra vantagem para o pecuarista, com a arroba valorizada, está na relação de troca com o milho. O insumo que vinha sofrendo queda nas cotações nos últimos cinco meses, de acordo com Rafael Ribeiro de Lima Filho, analista da Scot, reagiu neste mês devido ao aumento na comercialização no mercado interno.
Com isso, a relação de troca do milho com a arroba do boi gordo se manteve estável. O insumo, este mês está cotado em média a R$ 335 a tonelada, o que representa um avanço de 8,4% ante julho. "A alta do boi anulou a do milho."
De acordo com Filho, em São Paulo, são necessárias 3,75 arrobas de boi gordo para que o pecuarista adquira uma tonelada de milho. "Hoje o produtor precisa de 23% menos arrobas para a compra do insumo, se comparado a agosto de 2009."
João Carlos Werlang, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), espera ainda uma reação positiva nos preços do grão, pelo menos até a próxima safra. "Tudo vai depender da demanda."
Com a valorização da arroba e a falta de animais para abate, o preço da carne bovina acumula alta de 60% nas últimas temporadas.
Segundo Silva, a escassez de oferta de animal terminado para abate também tem sustentado os preços da carne no varejo. "Na última semana, a valorização média da carne bovina, em São Paulo, foi de 3%", diz, reiterando que houve alta nos preços da carne por quatro semanas consecutivas. Em um mês, o contrafilé e a fraldinha valorizaram 15%.
Para Silva, a partir de setembro e de outubro, quando deve entrar no mercado o boi de confinamento, ainda é possível que ocorra uma ligeira valorização da arroba ou, no máximo, estabilidade nos preços. "As ofertas estão curtas, houve queda no número de animais confinados. Não me espantaria se houvesse alta mesmo com os bois confinados", diz.
De acordo com Luciano Vacari, superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), com a oferta, mesmo que restrita, de animais confinados, os frigoríficos terão algum fôlego para operar escalas. "Mas não vejo recuo nos preços. A arroba a R$ 80 é coisa do passado", diz, lembrando que as entregas de bois confinados já estão ocorrendo. "Em setembro e outubro vão apenas atingir seu máximo."
Estudo da Acrimat aponta para 2010 um volume de 450 mil bovinos confinados em Mato Grosso. Para o superintendente, embora sem quantificar, um volume considerável desses bovinos já foi abatido. "O que vai balizar as cotações será a manutenção do montante exportado. Vamos suprir a demanda do mercado externo e interno", afirma.
Segundo Vacari, isso será possível devido ao aumento na produtividade. "Estamos matando boi mais cedo graças à tecnologia e estratégia nutricional", explica.
De acordo com o superintendente, em 2007, em Mato Grosso, foram abatidos cinco milhões de cabeças de gado, com um rebanho menor do que possui hoje.
Para Vacari, além da recuperação nos preços da arroba, o setor no Brasil também já recuperou os índices de embarques antes da crise econômica mundial, em 2008. Segundo Vacari, a Argentina, Uruguai, Austrália, Estados Unidos e Nova Zelândia estão com problemas para atender a demanda por carne. "Com isso, já recuperamos mercados."
Outra vantagem para o pecuarista, com a arroba valorizada, está na relação de troca com o milho. O insumo que vinha sofrendo queda nas cotações nos últimos cinco meses, de acordo com Rafael Ribeiro de Lima Filho, analista da Scot, reagiu neste mês devido ao aumento na comercialização no mercado interno.
Com isso, a relação de troca do milho com a arroba do boi gordo se manteve estável. O insumo, este mês está cotado em média a R$ 335 a tonelada, o que representa um avanço de 8,4% ante julho. "A alta do boi anulou a do milho."
De acordo com Filho, em São Paulo, são necessárias 3,75 arrobas de boi gordo para que o pecuarista adquira uma tonelada de milho. "Hoje o produtor precisa de 23% menos arrobas para a compra do insumo, se comparado a agosto de 2009."
João Carlos Werlang, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), espera ainda uma reação positiva nos preços do grão, pelo menos até a próxima safra. "Tudo vai depender da demanda."
Com a valorização da arroba e a falta de animais para abate, o preço da carne bovina acumula alta de 60% nas últimas temporadas.
Otto Manske explica que a alta nos preços varia de acordo com o corte Foto:Cleber Gomes
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| Otto Manske explica que a alta nos preços varia de acordo com o corte Foto:Cleber Gomes |
Produto está até 20% mais caro que no mês passado
O bife das crianças e o churrasquinho do fim de semana estão pesando mais nas finanças das famílias. A carne bovina está até 20% mais cara do que no mês passado. Supermercados e açougues já remarcam preços.
De acordo com a Associação Catarinense de Supermercados (Acats), é uma questão de sazonalidade. Neste período do ano, os pecuaristas seguram o fluxo de abate e, com menos oferta, o preço da carne tende a subir. Pelo levantamento da entidade, a elevação está entre 15% e 20%. Ao detectar esta tendência, os supermercadistas estão fazendo promoções para outros tipos de carne, como frango e porco.
Segundo o açougueiro Otto Manske, a alta varia de acordo com o corte.
— A costela subiu 25%. Está faltando gado. Acho que os preços podem subir ainda mais — diz o presidente da rede de supermercados Giassi, Zefiro Giassi.
O dono da distribuidora Resplendor, Adílio Fernandes, teme que, até setembro, o preço da arroba possa chegar a R$ 100. Hoje, em Chapecó, o preço da arroba do boi gordo chega a R$ 85.
— Os bifes subiram um pouco menos do que carnes como lombo e costela. Em média, o preço sobe entre R$ 0,30 e R$ 0,40 toda semana. Está mais difícil encontrar carne boa. Se continuar assim, é possível que tenha que aumentar em R$ 0,50 alguns preços nesta semana — afirma a sócia da Casa das Carnes, Ivonete Masselai.
Segundo o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea), o preço subiu por conta do clima seco, que afeta a oferta.
— A alta é normal nesta época, por causa dos pastos secos. Mas desta vez, o preço subiu mais do que em 2009 — explica o pesquisador Sergio de Zen.
O dono do Frigorífico São João, Laércio José Espíndola, vê outro motivo.
— Os preços estão voltando aos níveis de dez anos atrás.
Substituição por frango é uma opção
Quem quer reduzir o impacto da alta da carne bovina no almoço pode optar pelas carnes brancas. Segundo o dono da distribuidora Resplendor Alimentos, Adílio Joaquim Fernandes, o quilo do frango e do porco subiu menos de 4% nos últimos meses.
— Para compensar os nutrientes da carne vermelha podemos substituir pelas carnes de frango, porco e peixes, que apresentam basicamente os mesmos nutrientes da carne vermelha: proteínas de alto valor biológico, ferro, zinco — explica a nutricionista Priscila Karnopp.
De acordo com a Associação Catarinense de Supermercados (Acats), é uma questão de sazonalidade. Neste período do ano, os pecuaristas seguram o fluxo de abate e, com menos oferta, o preço da carne tende a subir. Pelo levantamento da entidade, a elevação está entre 15% e 20%. Ao detectar esta tendência, os supermercadistas estão fazendo promoções para outros tipos de carne, como frango e porco.
Segundo o açougueiro Otto Manske, a alta varia de acordo com o corte.
— A costela subiu 25%. Está faltando gado. Acho que os preços podem subir ainda mais — diz o presidente da rede de supermercados Giassi, Zefiro Giassi.
O dono da distribuidora Resplendor, Adílio Fernandes, teme que, até setembro, o preço da arroba possa chegar a R$ 100. Hoje, em Chapecó, o preço da arroba do boi gordo chega a R$ 85.
— Os bifes subiram um pouco menos do que carnes como lombo e costela. Em média, o preço sobe entre R$ 0,30 e R$ 0,40 toda semana. Está mais difícil encontrar carne boa. Se continuar assim, é possível que tenha que aumentar em R$ 0,50 alguns preços nesta semana — afirma a sócia da Casa das Carnes, Ivonete Masselai.
Segundo o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea), o preço subiu por conta do clima seco, que afeta a oferta.
— A alta é normal nesta época, por causa dos pastos secos. Mas desta vez, o preço subiu mais do que em 2009 — explica o pesquisador Sergio de Zen.
O dono do Frigorífico São João, Laércio José Espíndola, vê outro motivo.
— Os preços estão voltando aos níveis de dez anos atrás.
Substituição por frango é uma opção
Quem quer reduzir o impacto da alta da carne bovina no almoço pode optar pelas carnes brancas. Segundo o dono da distribuidora Resplendor Alimentos, Adílio Joaquim Fernandes, o quilo do frango e do porco subiu menos de 4% nos últimos meses.
— Para compensar os nutrientes da carne vermelha podemos substituir pelas carnes de frango, porco e peixes, que apresentam basicamente os mesmos nutrientes da carne vermelha: proteínas de alto valor biológico, ferro, zinco — explica a nutricionista Priscila Karnopp.
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