sexta-feira, 18 de novembro de 2011

JBS ameaça fechar mais unidades em São Paulo

18/11 
Brasília - O presidente da holding J&F e do conselho de administração da JBS, Joesley Batista, afirmou ontem (17) que, se o governo de São Paulo não rever o sistema tributário, o estado perderá mais unidades frigoríficas tanto da empresa quanto de seus concorrentes. "Há 15 anos, especificamente no governo de Covas, o estado criou condições tributárias favoráveis para a indústria de carne crescer e cidades como Barretos, Andradina, Presidente Epitácio foram ressuscitadas", explicou o executivo. "Mas, com essa atual política tributária, já fechamos três unidades no estado, inclusive a de Presidente Epitácio", afirmou.



"Desde 2005, o estado vem desincentivando a indústria", criticou Batista, ressaltando que, se o governo não "reagir", mais plantas frigoríficas poderão ser fechadas. "Não só minhas, mas as dos nossos concorrentes também. A questão é uma guerra fiscal, mas ao invés de ser entre estados, a indústria é que é punida", disse.



A JBS tem a maior unidade industrial da companhia e do mundo no estado paulista, que é a de Lins (SP), ex-Bertin, que tem mais de 8 mil funcionários. "Parece que São Paulo não quer mais frigoríficos. Nunca recebi um telefonema do governador para conversarmos sobre o assunto", ressaltou, informando que São Paulo representa de 3% a 4% do negócio global da companhia.



O principal fator que interfere na permanência da indústria no estado é a definição da alíquota de créditos de ICMS do governo de São Paulo pelo valor do produto vindo de outros estados. Atualmente, a devolução é de 3% e o governo paulista já propôs ampliar este percentual para uma faixa entre 4% e 6%. "Era 19% e o estado já 'comeu' 13% disso e ainda quer tirar mais 2%. Não dá para ficar desse jeito", disse.

DCI - Diário do Comércio & Indústria

Bois confinados em Minas produzem 80 mil ton de carne

18/11 
Rebanho mantido nos currais e piquetes aumentou 20%

Iniciado o período das águas, os pecuaristas de Minas Gerais que mantiveram bois em confinamento durante a seca de 2011 estão levando o gado gordo para os abatedouros. Neste ano, cerca de 400 mil animais (volume 20% superior ao de 2010) ficaram nos currais ou piquetes durante um período de até três meses para cada lote, recebendo alimento e água, informa a Emater-MG, vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).

“Os animais de confinamento oferecem carne em quantidade e com a qualidade exigida pelos frigoríficos e os consumidores, um produto muito valorizado”, diz o coordenador estadual de Bovinocultura da Emater, José Alberto de Ávila Pires.
Ele estima que pelo menos 90% dos bois confinados este ano, em Minas, já foram oferecidos no mercado. Segundo o balanço realizado pela Emater, o volume total de animais preparado à base ração deve possibilitar o aproveitamento de 80 mil toneladas de carne. Este volume é suficiente para o abastecimento de 6,7 milhões de pessoas em quatro meses, consumindo cada uma a média de 12 quilos.

O agrônomo Renato de Assis Porto de Melo, assessor técnico do programa Minas Carne, criado pela Secretaria da Agricultura, também ressalta a importância do confinamento de bovinos e diz que os produtores estão aderindo ao sistema com profissionalismo. “Eles fazem altos investimentos principalmente na compra de ração para os animais confinados e, por isso, sempre têm a expectativa de obter uma remuneração melhor ao vender esse gado do que obteriam com a comercialização de animais engordados no pasto”, explica.

A arroba do boi, comercializada atualmente em Minas Gerais por cerca de R$ 100, tem apresentado cotações crescentes desde janeiro. Segundo análise da Subsecretaria do Agronegócio da Secretaria da Agricultura, no período de janeiro a outubro de 2011, o preço médio subiu 19,92%. Há sinais de que a tendência de alta seguirá até janeiro/fevereiro.
De agora em diante, acrescenta o assessor da secretaria, a procura pela carne deve aumentar, sendo a oferta quase exclusivamente do produto de confinamentos. Começa um novo ciclo de engorda de animais centralizado nos pastos que já apresentam sinais de recuperação.  Números positivos
Considerado um dos pioneiros do confinamento de bois no Brasil, o pecuarista Adalberto José de Queiroz, do município de Frutal (Triângulo Mineiro), manteve em currais, desde março, um total de 12 mil bois e ainda conta com 25% desse plantel. Para o produtor, os resultados deste ano foram positivos porque ele conseguiu fechar bons contratos de venda a termo, isto é, comercialização dos animais à base de acertos que independem dos preços praticados geralmente pelo mercado. Predominam nas negociações as condições dos animais oferecidos, o cumprimento de prazos e outros aspectos, ele explica. “Estamos entregando boi por R$ 98,50 a arroba e um mês atrás vendíamos por um preço acima da cotação atual do mercado”, enfatiza.

Queiroz ressalta que o confinamento é uma prática rentável sobretudo para os produtores que cuidam bem da gestão do negócio. “É necessário aproveitar bem as oportunidades para vender o boi gordo e também para comprar os bezerros que iniciarão um novo ciclo nos currais ou piquetes”, esclarece. O pecuarista observa que vem aprimorando o confinamento desde 1979, quando adotou essa alternativa de manejo do gado utilizando apenas cem bois. No ano seguinte engordou mil animais e depois continuou expandindo a produção.

Para 2012, Queiroz confirma que vai trabalhar com 40 mil bois, pois em sua opinião a engorda de um grande volume de animais possibilita renda ao produtor inclusive nos períodos de baixa cotação da carne. “Principalmente quando se pode contar com uma boa safra de milho no Estado, como a estimada para 2012, e a possibilidade de produzir na propriedade uma parte dos componentes da ração”, finaliza.

Cenário do boi

Dados da Emater mostram que, em Minas Gerais, um grupo de 63 produtores trabalha com plantéis confinados de mil a cinco mil cabeças, respondendo por 56,5% dos animais dentro do sistema. Para completar a oferta da carne confinada no Estado, há um contingente de 658 pecuaristas que trabalham na faixa de menos de 150 até mil bois. De acordo com Ávila Pires, a presença desse número de pequenos produtores é um bom suporte à atividade, que garante o abastecimento do mercado interno em extenso período, possibilitando a oferta de carne bovina de qualidade a preços estáveis.
As informações são da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais.

Frigorífico não paga salários por causa de embargo ao Irã

Carlos Eduardo de Souza
O embargo promovido por países desenvolvidos ao Irã é o motivo alegado pelo advogado Marco Antonio Del Grossi, que representa o frigorífico Boifrig, de Fernandópolis, arrendado por empresários iranianos, para o não pagamento de 400 trabalhadores da indústria. Segundo o advogado do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação, Luiz Fernando Barizon, os empregados estão sem receber há quase dois meses e a entidade de classe vai ingressar nos próximos dias com pedido judicial de rescisão do contrato de trabalho para que os empregados possam sacar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e ingressar com pedido de auxílio desemprego. “A contribuição sindical eles descontam dos empregados e não repassam à entidade.” 
Sérgio Menezes/Arquivo
O frigorífico passou por várias mãos até o grupo iraniano arrendá-lo
Segundo o advogado do Sindicato, outros direitos assegurados pela legislação trabalhistas também não estão sendo cumpridos pela empresa. Ele estima que somente em salários a empresa deva mais de R$ 700 mil. “Isso sem contar outros benefícios e o FGTS.” Barizon disse também que o frigorífico tem divulgado reiteradamente que vai realizar os pagamentos em breve, o que não ocorre. 

Del Grossi disse que a intenção do Boifrig é fazer o pagamento dos empregados e reativar o abate, mas a dificuldade é a liberação de capital por causa do embargo. O advogado do frigorífico disse que a empresa não realiza abates desde o fim de agosto e mesmo assim fez pagamento dos trabalhadores referente ao mês de setembro e somente a um mês e meio os salários não estariam sendo pagos. Ele preferiu não revelar o valor devido aos trabalhadores. 

Pecuaristas receberam 

O presidente do Sindicato Rural de Fernandópolis, Marcos Mazeti, afirmou que o frigorífico Boifrig não tem dívidas para com os pecuaristas fornecedores de matéria prima para a unidade industrial. Barizon disse que tem se reunido com um funcionário do departamento pessoal e o advogado da empresa e que os próprios teriam relutado em ingressar com o pedido de rescisão contratual. 

A unidade industrial pertencente ao Grupo Mozaquatro foi arrendada inicialmente pelo frigorífico IFC, depois pelo Estrela Alimentos e, em seguida, pela Arantes Alimentos. Em janeiro de 2010, o grupo iraniano manifestou interesse e arrendou as instalações. O grupo investiu R$ 15 milhões para colocar a unidade em funcionamento. A meta da empresa é abastecer mercado interno e exportar carne bovina abatida em cerimônia halal (de acordo com os preceitos de sanidade no islamismo) para o Irã. 

Em janeiro passado completou um ano de arrendamento e começou a funcionar oficialmente no dia 8 de fevereiro de 2011. O Diário tentou entrar em contato ontem com Mohammed Ahmadi, um dos responsáveis pela empresa, mas não obteve resposta. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Cencosud compra rede Prezunic, do Rio, por R$ 875 mi

Por AE
São Paulo - Em pouco mais de um ano, a chilena Cencosud mais que dobrou seu tamanho no Brasil. A aquisição da rede carioca de supermercados Prezunic - anunciada ontem, por R$ 875 milhões (US$ 497,1 milhões) - vai acrescentar à varejista mais 31 lojas, que em 2010 faturaram R$ 1,9 bilhão.
Há pouco mais de um ano, quando comprou as 62 unidades da mineira Bretas, com R$ 2,1 bilhões em vendas, o Cencosud tinha 52 lojas e faturava R$ 2,5 bilhões. Hoje, com os dois negócios e sua expansão orgânica, a chilena já chega a 184 supermercados, além de 59 farmácias e 58 lojas de eletrodomésticos.
A compra do Prezunic - sexto maior varejista do País, segundo o ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) - inclui a compra dos ativos da empresa (exceto a propriedade dos imóveis) e transferência de operação do cartão de crédito Prezunic, com 64 mil clientes.
Pelos termos do acordo, dos R$ 875 milhões a serem pagos em cinco anos, serão descontados R$ 189 milhões, referentes a dívida e capital de giro da empresa familiar, capitaneada pela família Cunha, tradicional do varejo carioca.
Esta é a sétima aquisição do Cencosud no País, desde que a rede chegou ao Brasil, em 2007, com a compra da nordestina GBarbosa, que tinha cerca de 20 lojas e custou US$ 430 milhões. De janeiro até agora, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização do Cencosud no Brasil teve crescimento de 5,7%, na comparação com os mesmos meses do ano passado, de acordo com a empresa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Marfrig faz o primeiro embarque de carne suína do Brasil à China


A Marfrig Alimentos vai fazer o primeiro embarque de carne suína do Brasil para a China no próximo dia 24 de novembro. O mercado chinês à carne suína brasileira foi aberto em abril deste ano, quando a presidente Dilma Rousseff visitou a China, mas só agora ocorrerá o primeiro embarque.
O início das vendas é visto como um marco pela indústria brasileira diante do grande - e imprevisível - potencial do mercado chinês, maior produtor e também maior consumidor mundial de carne suína. "A China produz e consome 50 milhões de toneladas de carne suína por ano. Importar 1 milhão de toneladas é muito fácil", comemora Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs).
Segundo ele, este ano China e Hong Kong juntas devem se tornar o segundo maior importador mundial de carne suína - à frente da Rússia -, com cerca de 700 mil toneladas. O primeiro é o Japão, com 1,2 milhão de toneladas.
Alegando questões estratégicas, a Marfrig não divulga o volume que será embarcado a partir da unidade da Seara, sua controlada, em Itapiranga (SC). Segundo o diretor-geral da Seara, Mayr Bonassi, "o volume não é grande", mas a expectativa é de vendas regulares para a China a partir de agora. A carga terá cortes de pernil, paleta, barriga e copa suína.
Para ele, o negócio é "um passo importante para crescer em volume na China", que tem potencial para se tornar "o maior mercado para a carne suína brasileira em 10 anos". Hoje, Rússia e Hong Kong são os dois principais mercados.
O Brasil também negocia a exportação de miúdos suínos à China. A previsão é de que isso ocorra a partir do primeiro trimestre do ano que vem, segundo Bonassi.
A abertura da China à carne suína do Brasil foi negociada por quase cinco anos. Além da unidade da Seara, a da BRF em Rio Verde (GO) e a da Aurora, em Chapecó (SC), têm habilitação para exportar.
Valor

Exportações de carne do MT avançam em outubro

17/11 
Vendas de carne bovina mato-grossense para o exterior evoluíram 13,7% em outubro deste ano se comparado a setembro. Crescimento é 13 pontos percentuais superior ao que o país registrou de aumento no mesmo intervalo. No Estado, o embarque de carne in natura passou de 11,9 mil toneladas para 13,7 mil toneladas de um mês para outro.

Boletim semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que o crescimento nas vendas internacionais foi puxado pela relação comercial com a Venezuela, que passou a ser o principal cliente desde setembro deste ano. Em outubro foram adquiridos pelo país vizinho 3,35 mil toneladas, quase mil toneladas a mais que o volume comprado no 9º mês.

Retorno das vendas de carne à Venezuela coincidiu com começo do embargo russo, que impediu a comercialização de carne para o até então maior cliente. Analista do Imea Carlos Garcia explica que já foi um importante comprador da carne do Estado no passado e que agora volta a comprar. Segundo ele, com esta parceria, os frigoríficos puderam dar vazão às vendas que deixaram de ser feitas com o embargo russo.

Com relação a preço, Garcia explica que a diferença é pouca e não tem cliente preferencial. Empresário do segmento, Milton Belincanta, explica que na verdade a Venezuela tem se mostrado um cliente até melhor do que a Rússia, porque a carne não tem a concorrência do produto indiano. “A Rússia se tornou compradora da Índia, que este ano deverá se tornar o segundo maior produtor de carne no mundo, e como estão mais próximos um do outro, a carne brasileira sai perdendo”.

Desde que o embargo russo foi decretado, em abril, exportações estão em recuperação, e o crescimento das vendas externas entre julho deste ano e outubro variou 68,8%, segundo levantamento do Imea. Caso a Rússia volte a consumir o produto brasileiro, conforme é indicado pelo governo, Carlos Garcia afirma que o Estado tem capacidade para atender a demanda dos 2 países, mas que o reflexo será sentido no preço da carne no mercado interno, que deverá ter alta.

Gazeta Digital

Produtores de leite de GO estão satisfeitos com valor recebido

17/11 
Município de Morrinhos é importante bacia leiteira de Goiás. Desafio é produzir mais e melhor com a ajuda da cooperativa da região.

Do Globo Rural

No município de Morrinhos, a 130 quilômetros de Goiânia, Goiás, fica a propriedade de Alessandro Bernardes, que tem 43 vacas em lactação. Em duas ordenhas, ele tira por dia 700 litros de leite.

Alessandro é um pequeno produtor e o leite é a principal fonte de renda dele e da família, que trabalha junto na ordenha. Eles não têm empregados, uma forma encontrada de baixar os custos.

Da fazenda para a indústria, o leite produzido na propriedade de Alessandro vai para uma das maiores cooperativas do país.

A Cooperativa Mista de Produtores de Morrinhos tem 4 mil associados, que entregam 300 mil litros de leite por dia. A expectativa é de crescimento. “O objetivo é crescer de 10 a 12% em 2012. Vamos buscar tecnologia e informação para levar ao homem do campo”, explica Joaquim Barbosa, presidente da Cooperativa de Morrinhos.

Faet começou a distribuir 85 mil vacinas contra aftosa

17/11 
Palmas - A Federação da Agricultura e Pecuária do Tocantins (Faet) iniciou a distribuição de 85 mil vacinas contra aftosa aos pequenos produtores do estado. As vacinas serão distribuídas gratuitamente pelos presidentes de sindicatos rurais e lideranças do setor. Somando às de agora as 40 mil vacinas distribuídas na primeira etapa da campanha de vacinação, no primeiro semestre, a Federação da Agricultura terá distribuído este ano 125 mil vacinas. As vacinas foram viabilizadas pela Federação, que já contabiliza nos últimos 11 anos um total de 600 mil vacinas distribuídas contra a febre aftosa a pequenos produtores do Estado do Tocantins.

Serviço sanitário russo suspende compra de carne da Marfrig

Motivo alegado para restrição foi a presença da bactéria Escherichia coli na carne exportada:
O Serviço Federal de Fiscalização Veterinária e Fitossanitária da Rússia, o Rosselkhoznadzor, anunciou nesta semana a suspensão temporária, a partir do dia 28 deste mês, das importações de carnes do frigorífico de SIF 2543, da empresa Marfrig Alimentos, situado em Promissão, no interior de São Paulo. O motivo alegado para a restrição foi a presença da bactéria Escherichia coli.
A partir do final deste mês cai para 84 o número de plantas que podem vender sem restrições, entre as 249 que foram habilitadas pelo Rosselkhoznadzor. Segundo técnicos, a inclusão e retirada de plantas da lista pelo serviço sanitário russo fazem parte da rotina. Entretanto, os exportadores têm cada vez menos opções para originar a carne, em função da continuidade do embargo imposto em maio deste ano aos frigoríficos do Rio Grande do Sul, Paraná e de Mato Grosso.
O Ministério da Agricultura deu treinamento aos fiscais brasileiros sobre as normas do sistema de sanidade animal da União Aduaneira, da qual a Rússia faz parte. Entre o final deste mês e o início de dezembro, um grupo de técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária irá a Moscou discutir com o Rosselkhoznadzor a equivalência com o sistema brasileiro.

selo

Exportação de carne bovina tem queda no Estado (MS)

OSVALDO JúNIOR 16/11/2011 00h07
 
  

A carne bovina de Mato Grosso do Sul ocupa espaço menor no prato do consumidor estrangeiro. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o Estado destinou 51,56 mil toneladas de carne bovina a otros países de janeiro a outubro deste ano, 43,5% a menos que os 89,67 mil toneladas exportados no mesmo intervalo do ano passado. O resultado destoa do comportamento geral das exportações sul-mato-grossenses, que acumularam receita superior à casa dos US$ 3 bilhões no período.
“O mix de distribuição está se modificando”, observa o analista de mercado pecuário da Rural Business, Júlio Brissac. Ele explica que a indústria está olhando com mais atenção ao mercado doméstico, que tem se tornado mais atrativo com a melhoria de renda. Conforme Brissac, os frigoríficos têm informado, em seus balanços, fornecimentos de carne cada vez maiores ao consumidor brasileiro. “Antes eram destinados cerca de 80% para fora. Hoje, há frigoríficos que operam a 50% a 60% no mercado interno”, diz.
O consumo do brasileiro, no entanto, não explica, sozinho, os números da balança. Outro fator reside no início da cadeia, na produção - há oferta menor de bovinos. E isso é motivado pelo abate maior de matrizes e pela diversificação do agronegócio. Conforme o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Francisco Maia, as fêmeas representam ao produtor economia de custo acima de 20%. “Os criadores pagam por uma fêmea cerca de R$ 800 e pelo macho, mais de R$ 1000. E os frigoríficos estão pagando quase a mesma coisa”, afirma Maia. A preferência pelo envio da fêmea à indústria reduz a reprodução e, por conseguinte, o rebanho.
O avanço de outras culturas, sobretudo a da cana-de-açúcar, também provoca a redução do rebanho bovino. Os pastos decrescem com o aumento do plantio de outros produtos. A área da cana, por exemplo, deve aumentar 21% (de 396,16 mil hectares para 480,86 mil hectares) na safra 2011/2012, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). “Além de menores, os pastos estão piores neste ano por causa da seca prolongada. E com capim ruim, a vaca fica magra e não emprenha”, completa Maia.
A queda do volume de carne bovina exportado refletiu na receita, que foi 27,22% menor neste ano em relação a 2010. De janeiro a outubro de 2011, o valor comercializado foi de US$ 245,79 milhões. Nos mesmos meses de 2010, o montante foi de US$ 335,420 milhões. São quase US$ 90 milhões a menos.
Recorde 
O declínio das vendas externas da carne bovina ocorre em momento que as exportações de Mato Grosso do Sul atingem o patamar histórico dos US$ 3 bilhões.
De janeiro a outubro, a receita acumulada com as vendas para outros países foi de US$ 3,34 bilhões. O valor é 12,83% maior que o montante de todo 2010, de US$ 2,96 bilhões, que havia sido recorde. Os maiores colaboradores para esse resultado foram a soja, o minério de ferro e a cana-de-açúcar.
Leia mais no jornal Correio do Estado.